Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de setembro de 2019
O governo gaúcho avalia que está mais próximo de ser concretizado o projeto que prevê a instalação, em Pinheiro Machado (Região da Campanha), de uma fábrica de pellets – combustível granulado de partículas de madeira. Nessa terça-feira, o assunto esteve na pauta de um encontro do vice-governador Ranolfo Vieira Júnior com os empresários Luiz Eduardo e Guilherme Batalha, fundadores da BrasPell, além de representantes da francesa Albioma.
Com a LI (licença de instalação) já em fase final de elaboração, a intenção da BrasPell é iniciar as obras no início do ano que vem. O investimento total é estimado em R$ 1,5 bilhão, incluindo a construção da fábrica (que ocupará parte de uma fazenda de 140 hectares), os primeiros 45 mil hectares de floresta para matéria-prima e melhorias na ferrovia que corta a propriedade, bem como no terminal portuário. Também está prevista uma usina termelétrica para abastecer o complexo industrial.
“O Rio Grande do Sul está de portas abertas para os investidores e, mais ainda, para um projeto dessa envergadura, sustentável, o que com certeza nos abrirá mais portas, e que gerará desenvolvimento em uma região muito carente do nosso Estado, que é a Metade Sul”, destacou Ranolfo durante o encontro.
Conforme o cronograma, deve demorar dois anos para que a fábrica comece a produzir o material, gerando cerca de mil empregos diretos. Os granulados obtidos a partir do processamento de madeira de reflorestamento deverão ser exportados para Europa, Japão e Estados Unidos, onde são utilizados como combustível tanto em caldeiras de usinas termelétricas quanto no aquecimento residencial.
Os executivos detalharam que, na primeira fase, serão produzidas 900 mil toneladas por ano de pellets, envolvendo 300 produtores, “que terão renda fixa e garantida”, mas a expectativa é de que, em 10 anos, a capacidade chegue a 7,2 milhões de toneladas. “Para isso, além da região de Pinheiro Machado, outras três plantas de ‘lavouras de madeira’ deverão ser iniciadas em São Borja, Alegrete e Rio Grande”, salientou Batalha. “Queremos criar aqui a maior fábrica de pellets do mundo”.
Ainda segundo ele, o Estado já tem cerca de 80% da matriz elétrica renovável. “Esse projeto vai nos permitir associar a atividade de plantio à busca pela compensação de emissão de dióxido de carbono”, prevê.
Também presente à reunião, o titular da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos, acrescentou: “Acredito que o Rio Grande do Sul tem capacidade de ser um exportador de fontes renováveis de energia tanto para países subdesenvolvidos que precisam reduzir a emissão de gases, quanto para países ricos que não têm área para florestas, mas querem reduzir”.
Presença
Atuando no Brasil desde 2014, a francesa Albioma utiliza o bagaço da cana-de-açúcar como biomassa para gerar energia elétrica renovável. O giro desta semana pelo Rio Grande do Sul tem por objetivo conhecer de perto o projeto – ainda estão previstas visitas a florestas na Metade-Sul do Estado e ao Porto de Rio Grande.
“Trata-se de um projeto estratégico para a nossa empresa, pois queremos produzir energia 100% renovável no País, mas, considerando-se o tamanho do nosso território, não temos espaço para plantio”, explicou David Agid, um dos diretores da empresa.
Estiveram presentes no encontro, ainda, representantes do BNP Paribas, também de origem francesa, um dos maiores bancos da Europa, que está estruturando o financiamento do projeto e ajudará na atração de investidores. Também compareceram os deputados estaduais Ernani Polo e Fábio Branco, que estão colaborando na articulação dos empresários com líderes políticos desde o governo estadual anterior.
(Marcello Campos)
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