Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de outubro de 2019
O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, escreveu uma carta ao Facebook pedindo para a empresa não usar criptografia em mensagens, um recurso tecnológico que protege o conteúdo escrito. A medida ataca principalmente um plano anunciado pela empresa em janeiro deste ano: a integração dos serviços de mensagens WhatsApp, Instagram e Messenger, com uma infraestrutura de criptografia de ponta a ponta, segundo o site BuzzFeed News. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e de agências internacionais de notícias.
Barr pediu que a empresa adie a integração dos apps até que autoridades determinem se a criptografia reduzirá a segurança pública. Na carta, é exposto o argumento de que mensagens criptografadas facilitam a disseminação de conteúdos relacionados à exploração sexual infantil e ao terrorismo, e dificultam o rastreamento pela polícia. Autoridades do Reino Unido e da Austrália também assinaram o documento.
“Melhorias de segurança no mundo virtual não deveriam nos tornar mais vulneráveis no mundo físico”, diz a carta. “Empresas não devem criar deliberadamente seus sistemas para impedir qualquer forma de acesso a conteúdo, inclusive para prevenção e investigação de crimes sérios”.
As autoridades também pedem que o Facebook crie uma forma de autoridades acessarem conteúdos ilegais ou criminosos que circulam pelas plataformas da rede social. O aplicativo de mensagem WhatsApp, que pertence ao Facebook, já funciona hoje com criptografia de ponta-a-ponta. A preocupação das autoridades é com a expansão dessa ferramenta. “Os riscos de segurança pública relacionados ao novo plano do Facebook são exacerbados porque será uma única plataforma que combinará serviços de mensagens inacessíveis com perfis abertos, oferecendo rotas únicas para possíveis criminosos identificarem nossos filhos”, diz a carta.
Em resposta, o Facebook afirmou que “acredita que as pessoas tenham o direito de ter uma conversa online privada, onde quer que elas estejam no mundo”. A rede social afirmou que está consultando especialistas, governos e outras empresas de tecnologia para garantir que os seus novos serviços com criptografia sejam seguros. “O Facebook se opõe fortemente às tentativas do governo de criar uma brecha no sistema porque eles prejudicariam a privacidade e a segurança das pessoas em todos os lugares”, disse a companhia em comunicado.
Moeda digital
O governo americano também quer que Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook, testemunhe em um comitê da Câmara dos Deputados dos EUA em 29 de outubro sobre o plano da empresa de criar uma moeda digital, a libra. Os planos do comitê foram revelados pela primeira vez no site The Information.
O comitê disse que não agendará a audiência até Mark Zuckerberg se comprometer a comparecer até janeiro. Enquanto isso, a diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, concordou em testemunhar.
“Os planos do Facebook levantam sérias preocupações sobre privacidade, comércio, segurança nacional e política monetária, não apenas para mais de 2 bilhões de usuários que terão acesso imediato a esses produtos, mas também para consumidores, investidores e a economia global”, disse a presidente do comitê, Maxine Waters, em uma audiência sobre a libra em julho deste ano.
A preocupação regulatória tem afetado a libra: o PayPal anunciou que está deixando a Libra Association, grupo de empresas que se comprometeu a ajudar o Facebook a criar a moeda.
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