Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de agosto de 2015
A PF (Polícia Federal) enviou ao Supremo Tribunal Federal um relatório atestando que os deputados Luiz Fernando Ramos Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS) pagaram propina à diretoria da Petrobras em troca de benefícios à empresa Fidens Engenharia. O documento, entregue no Supremo na quarta-feira, é o primeiro parecer conclusivo da PF relativo aos inquéritos abertos para investigar a atuação de parlamentares no esquema de desvios da estatal. A informação foi dada pelo site da revista Época.
De acordo com o relatório da PF, em 2010, Farias e Germano desembolsaram 200 mil reais ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa para que a Fidens pudesse renovar o certificado que permitia à empresa se inscrever nas licitações da Petrobras. Os parlamentares guardaram o dinheiro, em espécie, dentro de uma garrafa de cachaça e a entregaram a Costa no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro (RJ).
A condição da construtora foi regularizada e ela pôde participar das concorrências. Venceu três delas em 2010 – uma para atuar na obra de terraplanagem da Refinaria Premium 1, no Maranhão – e outras duas em 2011.
A PF recolheu provas da relação entre os deputados e um executivo da Fidens com Costa. Entre elas está o comprovante de reserva de um quarto duplo no Fasano na data do pagamento, em setembro de 2010. Além disso, os investigadores identificaram reuniões de Costa com os parlamentares, inclusive na sede da Petrobras, no Rio, e com o presidente da Fidens, entre 2008 e 2010, no prédio da estatal. Os policiais também coletaram registro de entrada do deputado Faria no edifício onde funcionava uma das empresas de Alberto Youssef, em São Paulo (SP), em 2011.
Confissão
A PF partiu de informações prestadas pelo próprio Costa em seus depoimentos do acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público. No dia 2 de setembro do ano passado, Costa relatou o lobby dos parlamentares em favor da Fidens Engenharia e admitiu ter recebido os 200 mil reais em propina no hotel do Rio de Janeiro. O ex-diretor contou, na ocasião, ter entendido o pagamento como uma espécie de “agradecimento” dos deputados pelos resultados da Fidens, já que, segundo ele, não influenciou na contratação da empresa.
(Folhapress)
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