Quarta-feira, 09 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de agosto de 2015
A denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no âmbito das investigações da Operação Lava-Jato, mostra a que ponto a coisa pública foi contaminada pela falência moral do nosso sistema político, estimulada pelo famigerado projeto de poder lulopetista.
Felizmente, esse mesmo episódio é uma alentadora demonstração de que, às vezes aos trancos e barrancos, as instituições resistem sem maiores abalos aos assaltos de candidatos a autocrata e de simples bandidos, como deixaram claríssimo o mensalão e, agora, o petrolão.
Cunha é acusado de corrupção passiva por ter exigido e recebido propina de 5 milhões de dólares de fornecedores da Petrobras e também de lavagem de dinheiro, por ter tentado ocultar e disfarçar o recebimento dos valores da propina no exterior, em contas de empresas off-shore e de fachada e até mesmo de igrejas.
O presidente da Câmara reagiu argumentando que se trata de uma armação do governo para desestabilizá-lo, e de que, com a cumplicidade de Janot, ele teria sido “escolhido para ser investigado”. Ele alega que a presidenta da República, Dilma Rousseff, teria proposto ao Senado a recondução de Janot à Procuradoria-Geral da República “na tentativa de calar e retaliar” sua atuação.
A partir do momento em que assumiu, contra o desejo do Planalto, a presidência da Câmara, Cunha desenvolveu um projeto político pessoal, adotando uma atitude de franca oposição, radicalizada quando ficou claro que era um dos alvos da Lava-Jato.
O deputado usou despudoradamente a ameaça de abertura de um processo de impeachment contra Dilma. Tem sido, desde então, um obstáculo intransponível à busca de soluções para as duas crises. Agravou a crise econômica, dificultando a tramitação do ajuste fiscal e facilitando a aprovação de projetos dispendiosos. E agravou a crise política, ampliando as forças de oposição ao governo, mas com o cuidado de não romper o impasse.
A denúncia será agora examinada pelo plenário do STF. Os ministros sabem que começarão a julgar não o destino de um homem, mas um estilo de fazer política que transformou a desonestidade em qualidade essencial para progredir em empresas públicas e privadas e na administração pública. (AE)
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