Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de dezembro de 2019
Imóveis de luxo, carros, dinheiro em contas correntes, cotas de empresas, lanchas e até cavalos e gado estão sob a mira do Departamento Geral do Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil do Rio. Criado em março, o órgão conseguiu este ano o bloqueio de R$ 84,2 milhões em bens que podem ter sido obtidos ilicitamente por acusados de crimes. Desse total, R$ 25 milhões são oriundos da milícia.
Danilo ainda teve duas casas confiscadas, cada uma delas avaliada em R$ 750 mil. A suspeita é que ele comprasse os bens para lavar o dinheiro de sua atividade criminosa.
Também são alvo dos bloqueios acusados de envolvimento com tráfico de drogas, contravenção, desvio de verba pública e corrupção. O traficante Fábio Pinto dos Santos, o Fabinho São João, foi objeto de uma das operações do departamento. De acordo com as investigações, ele lava dinheiro em uma empresa de distribuição de gás e em uma revendedora de gelo. A Justiça bloqueou nove veículos da quadrilha de Fabinho, além de contas bancárias de quatro pessoas físicas. Joias e dinheiro também foram apreendidos na ação.
A delegada Patricia Alemany, diretora do departamento, ressalta que as investigações de lavagem de dinheiro são uma estratégia da Polícia Civil para o combate à criminalidade:
“As investigações financeiras são fundamentais para desestruturar, asfixiar financeiramente o crime organizado. A prisão, sem dúvidas, é importante. Mas só tirando o dinheiro dessas quadrilhas é que a gente consegue diminuir o crime.”
Montante pode ser maior
O valor bloqueado pela Justiça pode subir ainda mais. O departamento aguarda decisões judiciais sobre pedidos que já foram feitos pela polícia. É o caso de 1.300 cabeças de gado que, de acordo com as investigações, pertencem a Walter José da Silva. Ele é acusado de liderar um esquema de fraude de licitação de R$ 10,6 milhões para escolher uma fornecedora de papel para o Estado do Rio.
A polícia descobriu os animais durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão numa fazenda de Walter, que também foi apreendida. Ainda será solicitado o bloqueio de uma lancha que está em nome de uma das empresas investigadas.
Além dos bens sequestrados durante as operações, os policiais apreenderam quantias em espécie e joias. Foi o que aconteceu numa das ações contra o irmão do miliciano Ecko, Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho. As joias ainda não foram avaliadas, mas o dinheiro em espécie foi contabilizado: R$ 124 mil.
Todos os bens apreendidos podem ser revertidos para o estado, ao fim do processo. A Justiça pode determinar o ressarcimento dos prejuízos causados pelo acusado, caso seja constatado desvio de verba pública ou se ele não provar que obteve o bem com dinheiro lícito.
A lei federal que dispõe sobre crimes de lavagem de dinheiro estabelece que cada estado regulamente quais órgãos poderão ser beneficiados com bens e valores apreendidos pela Justiça. Há uma articulação para que o governador Wilson Witzel publique um decreto regulamentando que as quantias possam ser revertidas para a Polícia Civil.
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