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Mundo O México tem mais de 60 mil desaparecidos

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Segundo governo mexicano, 97% dos casos ocorreram após 2006, quando o governo declarou guerra às drogas. (Foto: Divulgação)

O México refez as contas e divulgou na segunda-feira, 6, um novo balanço de desaparecidos no país: 61.637 pessoas. O último levantamento, divulgado em junho, falava em 40 mil. A maior razão é a violência do crime organizado. O governo do presidente Andrés Manuel López Obrador anunciou o novo levantamento após uma análise de dados de procuradores estaduais.

Embora alguns casos sejam dos anos 60, 97% dos desaparecimentos ocorreram a partir de 2006, quando o México lançou uma ofensiva contra os cartéis de drogas. Karla Quintana, chefe da Comissão Nacional de Busca, que coordena os esforços para encontrar os desaparecidos, confirmou que a maioria sumiu após o governo de Felipe Calderón aumentar a repressão contra o narcotráfico. Do total, 25% eram mulheres.

De acordo com ela, o governo também contabilizou mais de 3 mil cemitérios clandestinos no México – bem mais do que estimavam jornalistas e especialistas. O anúncio é resultado da violência que não mostra sinais de diminuir. De janeiro a novembro do ano passado, os homicídios superaram 31 mil – em 2018, foram 33 mil no ano todo. Em algumas regiões, grupos criminosos combatem abertamente policiais e soldados.

Os dados atualizados também indicam como o governo de Obrador deu prioridade à questão dos desaparecidos, após anos de indiferença oficial. O alto comissário da ONU para os direitos humanos elogiou a Comissão Nacional de Busca, mesmo que tenha advertido que o país enfrenta “enormes desafios” em outras áreas.

A divulgação dos dados ocorre em um momento delicado para Obrador. Ele é acusado de não ter uma estratégia para combater a violência. As falhas do governo ficaram expostas em outubro, quando homens armados do cartel de Sinaloa tomaram a cidade de Culiacán, forçando a polícia a soltar o filho do traficante Joaquín “El Chapo” Guzmán, logo após sua prisão.

O episódio foi seguido pelo brutal assassinato de três mulheres e seis crianças americanas pertencentes a uma comunidade mórmon. Eles viviam em uma área dominada por narcotraficantes no Estado de Sonora, no norte do México.

Analistas citam vários motivos para os desaparecimentos. Em alguns casos, os criminosos querem apagar os vestígios de assassinatos para evitar investigações. Em outros, tentam semear o terror. No início desta década, partes do México se transformaram em campos de extermínio, com centenas de corpos incinerados em barris de petróleo ou dissolvidos em ácido.

Mas o crime organizado não é o único culpado. Pessoas também desaparecem pelas mãos de militares ou policiais. Em um dos casos mais famosos, 43 estudantes foram presos perto de Iguala, em 2014. Eles nunca mais foram vistos. Testemunhas dizem que eles entraram em caminhões da polícia municipal. A investigação inicial concluiu que a polícia entregou os estudantes a narcotraficantes, que os assassinaram, achando que eram de um grupo rival. A tese caiu por terra e Obrador abriu uma nova investigação.

Brasileiros: entrada negada

Em nota publicada ontem (6), o Consulado-Geral do Brasil no México admitiu que um número considerável de brasileiros tem sua entrada negada ao viajar para o país e alertou que os mesmos são obrigados a esperar seu retorno ao Brasil, por horas ou dias, detidos em salas de aeroportos internacionais em condições equivalentes à de cadeias.

Desde 2013, o não exige visto de brasileiros a turismo ou a negócios em estadias de até 180 dias. Porém, o próprio site do consulado avisa que os controles migratórios mexicanos tendem a ser rigorosos em comparação com os dos países da América do Sul.

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