Domingo, 04 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias Vídeos de YouTube com informações falsas somam milhões de visualizações e alimentam debate político no WhatsApp

Compartilhe esta notícia:

Medida acontece logo após pedido da União Europeia. (Foto: Reprodução)

Vídeos com mentiras, metade deles postados há mais de um ano e que somam 5 milhões de visualizações no YouTube, estão entre os principais conteúdos de grupos de política no WhatsApp no Brasil.

Essa é a conclusão de uma análise feita pelo G1 com base num monitoramento de 409 grupos de WhatsApp realizado pela Diretoria de Análise de Política Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Dapp), que há anos estuda o debate político e a circulação de informações em plataformas digitais.

O uso do Youtube e do Whatsapp para difusão de notícias falsas já havia sido mostrado em agosto de 2019 pelo jornal americano “The New York Times”. Na ocasião, o jornal revelou que vídeos de Youtube com informações falsas sobre o vírus da zika acabavam circulando na íntegra ou em trechos no Whatsapp.

A partir da reportagem do NYT, o G1 procurou a FGV para obter dados que ajudassem a mapear a circulação de notícias falsas. A pedido do G1, a equipe da FGV-Dapp levantou informações sobre o que foi postado entre 15 de agosto e 10 de outubro nos 409 grupos de WhatsApp.

O YouTube se mostrou o site mais popular, com 142 mil dos 410 mil links mais compartilhados (foram 2,6 milhões de mensagens, no total).

Em seguida, a equipe do G1 analisou os 100 links de YouTube mais compartilhados. Eles remetem para 78 vídeos, dos quais 16 – ou 20% – contêm alguma informação falsa ou errada. No WhatsApp, somam 2,5 mil postagens. No YouTube, 5 milhões de visualizações.

Parte desses vídeos com mentiras pertencem a 3 canais do YouTube que contam com serviço de assinatura – uma opção para lucrar com os vídeos ofertada pela plataforma a produtores de conteúdo selecionados.

O WhatsApp informou ao G1 ter feito “alterações significativas no produto e trabalhou com parceiros para ajudar a lidar com as consequências prejudiciais da desinformação”. “Embora não exista uma ação única que possa resolver os desafios complexos que contribuem para a desinformação, estamos comprometidos em ajudar a fazer a nossa parte para garantir que o WhatsApp continue sendo uma força para o bem no Brasil”, disse a empresa. O YouTube diz que a desinformação representa um grande desafio e que tem adotado uma série de medidas para lidar com o fenômeno.

Vídeos que induzem a erro

Para além dos vídeos com erros e mentiras, há aqueles que, mesmo sem uma afirmação claramente falsa, podem induzir a confusões.

Por exemplo: um dos vídeos analisados, que não foi incluído na lista de 16 que contêm mentira, mistura realidade (a Agenda 2030 da ONU) com ficção (o filme Matrix) para defender que existe uma estratégia secreta de controle mundial.

Outro sugere que o acordo UE Mercosul ficou paralisado durante 20 anos até ser fechado pelo governo Bolsonaro – embora rodadas de negociação tenham ocorrido em 2016 e 2018, por exemplo.

Ruediger destaca que a circulação de mentiras, especialmente em vídeo, prejudica a confiança da população no processo político – em 2020, por exemplo, o Brasil terá eleição para todos os 5.570 municípios. A preocupação com a influência de informações falsas no pleito levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a criar um programa de combate à desinformação.

“É extremamente corrosivo da credibilidade das pessoas sobre o processo político. Então, na verdade, você tem uma certa fronteira de impulsionar um certo niilismo na sociedade. No final, não se acredita em nada, e, quando não se acredita em nada, não se acredita nas instituições, em valores, tudo é possível, justificar até o injustificável”, afirma.

Mentiras sobre incêndios na Amazônia, ditadura militar e Ursal

A maior parte dos 78 vídeos trata da Amazônia, que em agosto – época do início do levantamento – atingia o maior número de focos de incêndio em 9 anos, com 30,9 mil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – crise ambiental que chamou a atenção internacional para o país.

Um desses vídeos é de 2015, e voltou a circular em 26 de agosto deste ano, dois dias depois de o presidente da França, Emmanuel Macron, dizer na cúpula do G7 que a Amazônia é um “bem comum” e pedir “mobilização de potências” contra o desmatamento.

O vídeo, compartilhado em 118 grupos de WhatsApp por 173 usuários diferentes, mostra a retirada de arrozeiros que ocupavam ilegalmente a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, em 2009, por ordem do STF, em decisão pública.

As cenas, entretanto, são descritas no vídeo de forma diferente. O título do vídeo afirma que o “presidente Lula manda invadir Roraima secretamente”.

No YouTube, o vídeo responde por 847 mil das 26 milhões que o canal VerdadeFinalRevelada obteve desde 2012.

O G1 tentou falar com os responsáveis pelo canal, mas, no YouTube não há informações sobre quem é responsável por ele, nem contatos. A reportagem encontrou um usuário do Facebook relacionado ao canal e enviou uma mensagem em 7 de janeiro, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Outra mentira, a de que “existem mais de 100 mil ONGs na Amazônia” (são 15 mil entidades sem fins lucrativos na região, na verdade), circula nos grupos de WhatsApp de política desde 22 agosto, mas está no YouTube ainda há mais tempo: o vídeo foi publicado em 2014 no canal Tada Shiro, que não respondeu ao e-mail enviado pela reportagem em 7 de janeiro.

O segundo vídeo mais compartilhado – postados 290 vezes em 119 grupos por 159 pessoas a partir de 22 de agosto – é de um incêndio ocorrido na Região Metropolitana de Belo Horizonte acompanhado da seguinte frase: “Urgente!! Índios confirmam!!! a esquerda bandida e as ONGs estão botando fogo na Amazônia”.

É o 2º vídeo mais popular do canal 100noçao, que o YouTuber Rodrigo Alves criou em 2017. Tem 103 mil visualizações, 25% das 517 mil do canal. Só perde para “Perereca vai vai vem vem”, um funk de MC Levin (138 mil visualizações).

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Saiba quem são os novos astronautas da Nasa que poderão ir à Lua e a Marte
O convite de Regina Duarte para a Secretaria Especial de Cultura divide a classe artística
Pode te interessar