Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de janeiro de 2020
O presidente Jair Bolsonaro sentiu elevar a temperatura das redes sociais, ao longo de quinta-feira (23), com cobranças sobre a possibilidade de esvaziamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado pelo ministro Sérgio Moro. Porém, foi a decisão do subordinado de entrar no Instagram que acendeu o sinal de alerta.
Diante dos questionamentos cada vez mais intensos de apoiadores, sobretudo os entusiastas da Lava-Jato, e dos sinais de descontentamento emitidos pelo ministro, que chegou a ameaçar deixar a pasta em conversas com assessores de confiança, Bolsonaro decidiu recuar de forma pública.
O presidente afirmou na sexta-feira (24) na Índia que há “zero chance” de um Ministério da Segurança Pública ser criado “no momento”, o que esvaziaria a pasta da Justiça, que abriga as pautas de segurança e tem no comando o ex-juiz federal Sérgio Moro.
Ao chegar a seu hotel, Bolsonaro afirmou que “a chance no momento [de criar um ministério da Segurança Pública] é zero, não sei o amanhã, porque na política tudo muda, mas a intenção não é criar”.
Como a Folha revelou um dia antes, o pedido de recriação da Segurança foi articulado com Bolsonaro antes de sua reunião com secretários estaduais da área, ocorrida na quarta (22) e que reacendeu o processo de fritura de Moro.
A discussão sobre o desmembramento da Justiça para criar um Ministério da Segurança Pública criou um mal-estar com o ex-juiz da Lava-Jato, que disse a aliados que poderia deixar o governo caso isso acontecesse. Na Índia, o presidente disse que não se manifestou antes sobre a questão de forma mais enfática porque estava em voo, que levou 25 horas.
“Há interesse de setores da política [na criação do ministério], simplesmente recolhemos as sugestões educadamente e dissemos que vamos estudá-las”, afirmou.
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