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Economia Para economista do banco Citi, a epidemia do coronavírus vai reduzir o ritmo de crescimento do PIB global, com impactos negativos para o Brasil

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Os dados referentes ao PIB dos Municípios de 2018 foram divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento de Economia e Estatística. (Foto: Divulgação)

Enquanto muitos bancos ainda nem refizeram as projeções de crescimento da economia da China para este ano, após o estouro da crise do coronavírus naquele país, o banco Citi já revisou para baixo suas estimativas duas vezes. E fez o mesmo para o Brasil, que deve crescer menos por causa da epidemia, segundo os cálculos do banco. Uma semana após o início do surto, a expectativa de crescimento chinês caiu de 5,8% para 5,5%. Duas semanas depois, o Citi a reduziu para 5,3%. Em entrevista ao jornal O Globo, o economista-chefe do banco no Brasil, Leonardo Porto, diz que o impacto inicial da crise já tirou quase 10% da estimativa de expansão do PIB este ano, sendo o país tão ligado comercialmente à China. Para ele, a escalada do dólar por aqui se deve principalmente à instabilidade global.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista:

– 1) Qual será o impacto da crise do coronavírus para a economia brasileira? “Reduzimos a estimativa de crescimento de 2,2% para 2% este ano. Começamos a incorporar o impacto da epidemia pelo lado das exportações. A China compra 28% de tudo o que o Brasil exporta. Se as exportações caírem 50% durante o primeiro mês da epidemia, então o impacto será de 0,2 ponto percentual”, diz Porto.

– 2) Os dados mais fracos da indústria, varejo e serviços no fim do ano passado no Brasil também foram levados em conta nessa revisão da taxa de expansão esperada para 2020? “O efeito dos dados mais fracos foi marginal. O grosso mesmo foi o do coronavírus.”

– 3) Por que o Citi reduziu duas vezes a estimativa do crescimento chinês este ano? “Há uma incerteza gigantesca sobre quanto tempo vai demorar para o país controlar a epidemia. Quanto mais você isola as pessoas para controlar o vírus, mais os problemas econômicos crescem, vão se maximizando. As fábricas ficam fechadas. Ninguém sai para trabalhar. As informações são de que há um colapso na atividade chinesa, desde queda no consumo de carvão até venda de casas.”

– 4) No Brasil, o dólar próximo de R$ 4,30 tem a ver com o coronavírus? “Há uma ansiedade grande quanto à trajetória da taxa de câmbio. Mas é preciso lembrar que esse dólar está refletindo os fatores externos. O coronavírus não é uma coisa pequena. Isso está afetando preços de commodities de forma significativa. E os três produtos mais exportados no ano passado pelo Brasil foram soja, minério de ferro e petróleo. Se nossos produtos estão valendo menos, nossa moeda vai acabar depreciando.”

– 5) Qual é a expectativa do dólar para o fim deste ano? “Para o Citi, a expectativa é de um dólar a R$ 4,14 no final do ano, baseado na hipótese de que o coronavírus vai ser controlado até o fim do primeiro trimestre.”

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