Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de março de 2020
Em carta divulgada na tarde do sábado (29), governadores de sete estados pediram ao presidente Jair Bolsonaro que seja fortalecido o Estado de Direito democrático com respeito e harmonia entre os Poderes.
A declaração em conjunto ocorre após uma semana em que Bolsonaro foi criticado por parlamentares e outros líderes políticos por compartilhar pelo WhatsApp vídeo de convocação para manifestação, no dia 15 de março, contra o Congresso.
O pedido encerra documento produzido pelo Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste), que reuniu representantes de governos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul neste sábado em Foz do Iguaçu (PR). Entre os presentes ao encontro, estava o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), possível adversário de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2022.
“O Cosud enfatiza seu convite ao presidente da República, Jair Bolsonaro, para que juntos possamos fortalecer o Estado de Direito democrático com respeito, harmonia e união entre todos os Poderes e, sobretudo, entre o governo federal, os governos estaduais e municipais”, diz a carta, lida no evento pelo governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD).
O documento também cita preocupações com o desenvolvimento sustentável e menciona o Acordo de Paris, anteriormente criticado por Bolsonaro. A manifestação desse grupo ocorre menos de duas semanas depois de outra carta de governadores que também tratou da relação dos estados com o governo federal.
Na ocasião, 20 dos 27 governadores do país criticaram declarações feitas por Bolsonaro a respeito da morte do miliciano Adriano da Nóbrega, ocorrida durante operação da PM da Bahia, no último dia 9. A carta anterior, porém, não foi assinada por Ratinho Junior nem pelo catarinense Carlos Moisés (PSL), que subscreveu o documento divulgado neste sábado.
Manifestação anti-Congresso
A notícia de que o presidente Jair Bolsonaro compartilhou em seu Whatsapp pessoal vídeo no qual convoca as pessoas a comparecerem ao ato marcado para 15 de março em favor do governo – cujas pautas incluem teor anti-Congresso e STF – fez explodir o número de menções e compartilhamentos sobre a manifestação nas redes sociais. A ação de Bolsonaro também intensificou o foco do movimento, antes mais difuso, para a defesa da figura do presidente. O informação do endosso presidencial foi publicada no site BR Político, na última terça-feira, 25.
No Twitter, houve um aumento de 550% no número de menções ao assunto em 48 horas, segundo levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas, da FGV (DAPP-FGV), a pedido do Estado. Até o dia 24 de fevereiro, 127 mil menções ao protesto do dia 15 haviam sido registradas. No dia seguinte, quase dobrou, saltando para para 231 mil. Em 26 de fevereiro, no dia que se seguiu à notícia do compartilhamento de Bolsonaro, as menções ao tema chegaram a 830 mil.
Já no Facebook, o aumento do volume da mobilização, registrado pela DAPP, foi ainda mais expressivo. No mesmo período, as interações sobre o tema (soma de reações, comentários e compartilhamentos) saltaram de 490 mil para 7,4 milhões – mais de 1.400% em 48 horas.
O coordenador de linguística da DAPP, Lucas Calil, um dos responsáveis pelo estudo, diz que os números englobam tanto postagens favoráveis como contrárias aos protestos. “O estudo mostra que o debate sobre o assunto se intensificou de forma significativa, sempre de forma polarizada”, afirmou. Ele ressalta o ponto de virada nas discussões após a notícia sobre o compartilhamento de Bolsonaro. “A notícia dada pela Vera Magalhães (colunista do Estado e editora do BR Político) foi determinante no aumento de engajamento do assunto nas diferentes redes”.
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