Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2020
O avanço da pandemia do coronavírus no país se tornou um desafio para chefes de Poderes. Isolados, eles têm atuado pelo celular. Diagnosticado com o novo coronavírus, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), montou um QG na residência oficial para garantir os trabalhos do Congresso enquanto ele estiver cumprindo o período de quarentena por conta da doença. Alcolumbre disse que o funcionamento do Parlamento será mantido “independentemente do que aconteça”.
— Sigo de casa, em isolamento total, mas confiante 100% na recuperação, acompanhando tudo pelo telefone e posso afirmar que sairemos maiores depois dessa crise — afirmou Alcolumbre.
Isolado em um dos quartos do imóvel no Lago Sul, em Brasília, Alcolumbre tem intercalado o dia entre repouso e atividade parlamentar. A televisão fica o tempo todo sintonizada em canais de notícias, o computador ligado e o celular sempre carregado. Segundo aliados, Alcolumbre tem mantido contato constante com senadores. O mais acionado é o senador Antônio Anastasia (PSD-MG), primeiro vice-presidente da Casa. Eles costumam se falar, pelo menos, a cada duas ou três horas.
— O momento exige esforço e solidariedade de todos nós e enfrentaremos essa crise com maturidade política — disse.
Foi à distância que Alcolumbre organizou e acompanhou a primeira sessão remota da história do Senado, que aprovou o decreto que reconhece estado de calamidade pública. Na véspera da votação, acompanhou os testes do sistema e telefonou ou mandou mensagens a todos os líderes, pedindo para mobilizar os colegas para a votação.
Durante a sessão, o senador cogitou fazer uma rápida fala inicial, mas decidiu se poupar. Um dos sintomas da doença, em seu caso, tem sido a falta de voz. O presidente do Senado também tem sofrido com dores de cabeça e tosse.
Alcolumbre também criou uma espécie de centro de controle informal de exames dos colegas de Parlamento, com atenção especial a Nelsinho Trad (PSD-MS) e Prisco Bezerra (PDT-CE), diagnosticados com coronavírus. O pano de fundo é, além da preocupação com a saúde dos pares, o temor de que a doença atinja muitos parlamentares a ponto de impedir o funcionamento do Congresso.
— Apesar da epidemia, daremos um jeito para que as matérias no Congresso avancem — disse Alcolumbre, emendando: –O Congresso está de portas abertas para o diálogo constante, e tenho certeza que iremos construir, de forma harmônica, os melhores caminhos para o país.
O diagnóstico positivo de Alcolumbre para o novo coronavírus acabou impondo quarenta ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. O ministro está em isolamento desde a última quarta-feira, quando soube que o presidente do Senado testou positivo para o vírus. Na segunda-feira, ambos participaram de uma reunião para debater medidas de contenção da pandemia. No local, também estavam outros ministros do Supremo e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
— A partir do momento em que saiu resultado do presidente do Senado, nós encerramos a sessão do Supremo, e de lá eu vim pra residência e cumpri recomendações médicas de isolamento — afirmou Toffoli, em entrevista à Rádio Bandeirantes.
Toffoli informou que fará o teste nos próximos dias. Ele contou que está isolado em casa, sem contato direto com a filha e a funcionária que trabalha no local.
— Estou almoçando em casa, eu mesmo lavo minha louça, limpo meu quarto, estou tomando as precauções. Optei por não fazer exame ainda, porque se tem notícia que no começo o exame dá negativo, pessoa se sente à vontade pra sair de casa — explicou.
O ministro disse que segue trabalhando:
— Hoje temos tecnologia, o Supremo é 100% informatizado, despachei mais de 900 processos do computador da minha casa. Se faço exame que não seria o verdadeiro, estou queimando um kit, que está escasso. Daqui uns dias, faço o exame.
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