Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2020
O governo britânico já trabalha em um plano para comprar ações de companhias aéreas e de outras empresas mais fortemente atingidas pela crise do coronavírus, revelou o Financial Times. A iniciativa passou a ser estudada depois de alertas de que as medidas econômicas adotadas até então não serão suficientes para garantir que as empresas atravessem esse período.
O Reino Unido tem anunciado ações em série para proteger sua economia dos impactos da Covid-19. Na última semana, o governo anunciou 38 bilhões de libras para garantir o pagamento dos salários dos trabalhadores do país por um período de três meses, desde 1º de março. Se necessário, o período poderia ser prorrogado. O plano anunciado também prevê a suspensão, para todo o comércio, do pagamento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), até junho.
Até agora, o governo britânico já anunciou três pacotes de socorro à economia, num montante de 418 bilhões de libras (ou R$ 2,5 trilhões). As iniciativas incluem ainda suspensão de impostos por um ano para pequenas e médias empresas e garantias governamentais para o pagamento de aluguéis, salários e outras despesas. Haverá ainda empréstimos, muitos deles concedidos a juro zero pelos primeiros seis meses, para as companhias britânicas. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, definiu o pacote como uma estratégia de guerra.
De acordo com o Financial Times, duas fontes a par dos planos do governo afirmam que a avaliação é que não basta dar empréstimos para empresas que estão virtualmente fechados por causa do coronavírus. Além disso, empresas que iniciaram a crise muito endividadas não teriam como obter um volume significativo de financiamentos. Posteriormente, as ações compradas seriam vendidas a investidores privados.
O modelo traria semelhanças com o programa Tarp, adotado pelo Tesouro Americano, após a crise financeira de 2008, que incluiu a compra de ativos e ações de empresas em crise.
Algumas companhias aéreas têm pedido um esquema de resgate mais convencional, com empréstimos estatais e alívio no pagamento de taxas aeroportuárias, mas a avaliação do governo é que isso pode não ser suficiente.
Na semana passada, o secretário britânico de Transporte, Grant Shapps, prometeu que o governo não permitiria o colapso de companhias aéreas rentáveis, bem administradas e líderes mundiais. Na quarta-feira, houve um encontro de executivos das empresas com ministros. Entre as aéreas estavam presentes a Virgin Atlantic, British Airways, easyJet e Ryanair.
Em encontro separado, o sindicato dos pilotos disse aos ministros que espera que as empresas anunciem a retenção de praticamente toda a frota nos próximos dias.
Na semana passada, a Iata, associação mundial de companhias aéreas, afirmou que 75% das empresas podem enfrentar dificuldades até junho.
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