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Mundo Com mais de um milhão de estudantes espalhados pelo mundo, a China vive dilema sobre repatriação

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O número diário de novas mortes estava caindo há semanas e na segunda-feira (06) ocorreu apenas um falecimento. (Foto: Reprodução)

Um estudante sonhou comprar uma passagem de US$ 30 mil em um jato particular. Uma mãe, frustrada com a incapacidade de levar a filha para casa, enviou máscaras. Um grupo de pais desesperados fez um incomum apelo público ao governo chinês por ajuda.

O surto de coronavírus deixou mais de um milhão de estudantes chineses em dormitórios vazios e amedrontadas cidades ao redor do mundo. Muitos desses estudantes no exterior querem voltar para a China, onde números oficiais sugerem que as autoridades fizeram progressos para conter a pandemia. O medo, a política e as diferentes prioridades do governo chinês estão no caminho.

Praticamente todos os vôos partindo da China e para o país foram cancelados, pois Pequim tenta impedir que viajantes infectados reacendam o contágio lá. As passagens que restaram são incrivelmente caras. No caso dos estudantes que ficaram retidos nos Estados Unidos, suas famílias temem que as relações tensas entre Pequim e Washington atrapalhem os esforços de repatriação da China.

Em uma carta aberta publicada on-line e dirigida ao embaixador chinês nos Estados Unidos, os pais de 200 estudantes na área de Nova York elogiaram cuidadosamente o apoio do governo chinês a seus cidadãos no exterior. Em seguida, citaram a série de filmes “Wolf Warrior”, grande sucesso na China, em que soldados patrióticos do Exército de Libertação Popular protegem o povo chinês de ameaças no exterior. “Sempre acreditamos firmemente que um passaporte chinês pode levá-lo a mais lugares e, em caso de emergência, pode levá-lo para casa”, escreveram eles.

Os estudantes perdidos colocaram Pequim em um impasse: o governo está ansioso para domar o surto de coronavírus que assolou o país antes de se espalhar para o exterior, pondo sua economia em queda livre. Trazer pessoas do exterior, acredita o governo, convida a uma maior disseminação. No entanto, a imagem da China está em risco. Pequim se retratou como uma força cada vez mais poderosa no cenário global econômico, político e militar. Jurou proteger seu povo em todo o mundo.

Além disso, os estudantes e seus pais constituem uma base importante para o Partido Comunista. Muitos são da classe média alta, se não ricos. Estudantes estrangeiros podem se tornar embaixadores virtuais da China à medida que assumem posições nas fileiras de negócios, política ou academia.

“Os estudantes internacionais geralmente são o grupo mais preocupado com a pátria entre os chineses estrangeiros”, escreveu Gao Cheng, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em uma publicação nas redes sociais. “Eles também são o grupo mais vulnerável ao impacto da epidemia e a uma possível onda de sentimentos anti-China. Eles ainda precisam ter confiança no país.”

O governo chinês se apressou em mostrar como vem ajudando. Em uma série de discursos públicos na semana passada, as autoridades enfatizaram o papel que as embaixadas chinesas em todo o mundo têm desempenhado para chegar aos estudantes. Elas publicaram fotos dos kits de saúde que enviaram aos estudantes que, como disse um funcionário, permitirão que os alunos “sintam o calor e o amor da pátria”.

A China também divulgou seus esforços para resgatar 1.457 estudantes presos em países como Bangladesh, Camboja, Etiópia, Irã e Itália. Na quinta-feira, chegou um vôo a Londres para evacuar 180 estudantes chineses do Reino Unido.

O governo “atribui grande importância e se preocupa profundamente com os estudantes chineses no exterior, e tomou importantes medidas para proteger sua segurança e saúde”, disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em 31 de março.

— Eles são filhos da pátria e do futuro do nosso país — disse.

No entanto, levá-los para casa será difícil.

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