Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2020
Um levantamento feito a pedido do jornal O Globo por pesquisadores da Fiocruz, estima que um em cada três brasileiros (33,5%) acima de 18 anos tem ao menos um dos cinco principais fatores associados a complicações da doença: hipertensão, diabetes, doenças do coração ou do pulmão e ainda os que têm idade acima de 60 anos.
O dado foi calculado a partir das respostas do questionário da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE), feita em 2013. O levantamento mostra como o chamado “grupo de risco da Covid-19” reúne pessoas em todas as faixas etárias.
“Essas doenças ocorrem em todos os grupos de idade. A faixa de idade de 18 a 29 anos realmente é menos afetada, mas após os 30 anos a gente já tem grandes proporções que estão em risco. É interessante chamar atenção sobre isso porque nesse isolamento vertical você está colocando pessoas que têm problemas de saúde sujeitas a ser infectadas e ter gravidade na doença”, explica Celia Landmann Szwarcwald, coordenadora da PNS e do levantamento.
O principal fator identificado é a hipertensão, com um total de 22,1% dos adultos diagnosticados. Depois, a diabetes, com 7%; doenças do coração, 4,2%; e enfermidades no pulmão, 1,8%. Algumas pessoas sofrem de mais de uma doença. Além disso, há um grupo de 7,3% de idosos que não declararam doenças, mas que estão no grupo de risco por possuir mais de 60 anos. No recorte de gênero, entre as mulheres o grupo de risco atinge 36,2% acima de 18 anos, assim como 30,4% dos homens.
A hipertensão, sobretudo, atinge diferentes idades. Entre quem tem de 18 a 29 anos, os doentes são apenas 3%. Esse número salta para 9,9% na faixa de 30 a 39 anos. Vai a 21% de 40 a 49 anos e cresce para 35,7% de 50 a 59 anos. Com mais de 60 anos, os hipertensos são 51,1%.
“Pessoas mais pobres que, às vezes, não têm tanto acesso aos serviços de saúde e só procuram quando eles estão sintomáticos podem não aparecer. Então a gente pode ter até proporções maiores do que essas”, analisa Szwarcwald.
Para ela, os dados sobre gênero também estão relacionados ao fato de que as mulheres cuidam da saúde desde os exames ginecológicos e mantêm esse hábito. Já os homens tendem a ir ao médico apenas quando estão doentes.
Nos Estados, os maiores grupos de risco estão no Rio Grande do Sul, onde 37,8% dos adultos têm algum dos fatores. A situação é mais crítica onde a Covid-19 se alastra com velocidade. No Rio, com mais de 4,5 mil casos confirmados e 387 óbitos, o grupo de risco é pelo menos de 37%. Em São Paulo, com quase 13,9 mil casos confirmados e 991 mortes, 36% são mais vulneráveis.
Presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio, Tânia Vergara também ressalta que as comorbidades são um alerta para os mais jovens. “Se você pensar em uma escada, em que no último degrau você chega com a doença mais grave, quem já tem um fator de risco começa no terceiro, no sexto, no décimo degrau”, explica Tânia.
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