Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia “Muitas empresas aéreas podem desaparecer”, diz o presidente da Latam

Compartilhe esta notícia:

Segundo Jerome Cadier, a opção nunca foi alvo de conversas "nem por um minuto". (Foto: Divulgação)

Jerome Cadier, presidente da Latam, odeia fazer home office. Ao menos duas vezes por semana vai ao hangar da Latam, em Congonhas, visitar o centro de operações, que segue trabalhando por conta dos 25 voos diários que a companhia ainda mantém – equivalentes a 3% da malha pré-pandemia do coronavírus.

Mesmo com essa redução drástica, os aviões estão vazios. Quando muito, fazem o transporte de médicos e equipamentos hospitalares. A situação é dramática para a aviação em todo o mundo, mas o pior ainda está por vir, acredita o executivo.

Em entrevista ao jornal O Globo, ele prevê uma queda brutal na demanda pelo transporte aéreo após a pandemia, da ordem de 30% a 40%. A combinação disso com um excesso de aviões no mercado vai pressionar os preços, dificultando a capacidade de as empresas recuperarem suas margens de lucro, diz. “Vai ser um cenário muito crítico. Quem não tiver custo baixo, não sobrevive.” Por isso, ele cobra um socorro rápido do governo ao setor. Segundo Cadier, “muitas empresas aéreas podem desaparecer em 2021, 2022”. “Sem ajuda governamental a indústria não sobrevive. A depender de quanto tempo durar a crise, com demanda inexistente, as empresas chegarão em situação de insolvência absoluta. E aí vai precisar uma ajuda mais contundente. As empresas precisam ter acesso a crédito. E ele terá de vir de fundos públicos”, diz ele.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista:

– Quando se deu conta do tamanho da crise e que seria preciso deixar aviões no chão? “No fim de fevereiro, tínhamos reuniões diárias para avaliar o voo para Milão, e teve um dia em que a ocupação caiu para 40%. Os passageiros foram cancelando. No mesmo fim de semana, teve um voo da American Airlines em que a tripulação se recusou a voar. Aí a gente viu que, opa, o cenário está mudando. No domingo resolvemos parar o voo. Duas semanas depois, quando fomos desenhar a malha de abril, não tinha passageiro. Nenhuma venda. Dava uma malha de 50 voos. A gente opera 750. Aí a ficha caiu. Paramos tudo. E começamos negociação com sindicato, fornecedor. Daí para frente, para usar uma expressão de uma coisa que odeio, o funk, foi “créu velocidade 5” (referindo-se ao ápice da coreografia de “Dança do Créu”, hit dos bailes funks em 2008).”

– Como está a operação hoje, com a malha essencial? “Estamos queimando combustível. A minha malha hoje não paga o custo variável. Os únicos países em que estamos operando hoje são Chile e Brasil, atendendo a uma demanda dos governos. O ideal hoje seria parar de voar.”

– Já dá para enxergar algum cenário pós-crise? “Ainda é desafiador falar sobre o que vai acontecer daqui a um ano, mas algumas coisas já estão claras. O primeiro desafio é não fazer com que o futuro da companhia se resuma a 2020. É equacionar o caixa, folha, fornecedores etc. Mas depois vem uma segunda onda que também é forte e que vai deixar o setor muito diferente. Teremos menos passageiros e um excesso de capacidade empurrando os preços pra baixo.”

– Quanto pode cair a demanda? “Violentamente. Estamos trabalhando com uma queda de 30% a 40% para 2021. O passageiro a turismo vai ter menos economias e vai postergar a viagem. E o de negócios está encontrando outras maneiras de trabalhar.”

– Mas vocês vão reduzir oferta e isso não pode ajudar a ajustar os preços? “Temos dificuldade em reduzir oferta. Avião parado tem custo. E nesse ambiente, o custo de operação virou o fator número 1. Como eu terei me endividado para sobreviver à primeira onda, vou querer botar o avião para voar. Se a margem não for positiva no curto prazo, eu morro no médio prazo. Vai ser um cenário muito crítico. Quem não tiver custo baixo, não sobrevive. Talvez as empresas sobrevivam à primeira onda. Mas muitas podem desaparecer em 2021, 2022.” As informações são do jornal O Globo.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

A Coreia do Sul apontou que pacientes infectados pela segunda vez pelo coronavírus têm baixa transmissibilidade
A Anvisa aprova a venda do primeiro produto no país à base de maconha
Pode te interessar