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Mundo O PIB dos Estados Unidos caiu quase 5% no primeiro trimestre

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O Fed resiste a Trump. (Foto: Reprodução)

A economia norte-americana teve, no primeiro trimestre de 2020, o seu maior tombo desde a Grande Recessão, reflexo das medidas de paralisação de atividades para conter o surto do novo coronavírus.

O tombo de 4,8% no trimestre, em termos anualizados, colocou fim ao maior ciclo de crescimento econômico registrado na história dos Estados Unidos. A divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano, em taxa anualizada, é diferente da leitura da economia brasileira, que é feita sempre pela variação no trimestre.

Pela leitura trimestral, o PIB dos EUA recuou 1,2% no período de janeiro e março, quando comparado com outubro a dezembro de 2019.

A queda reportada pelo Departamento de Comércio americano foi ainda maior que a prevista por economistas ouvidos pela agência Reuters. Eles projetavam uma contração de 4% no período de janeiro a março, ainda que as estimativas fossem amplas a ponto de englobar previsões de queda de até 15%.

O pior, segundo economistas, ainda está por vir: o PIB pode despencar 30% ou mais no segundo trimestre.

Na China, onde começou o coronavírus e que teve paralisações desde janeiro, o tombo do PIB no primeiro trimestre foi de 6,8%. O Brasil divulgará seus dados no final de maio.

A retração do PIB reflete o mergulho da economia do país nas duas últimas semanas de março, período em que milhões de norte-americanos solicitaram seguro-desemprego. Desde o começo da crise do coronavírus, mais de 26 milhões de trabalhadores do país pediram o auxílio.

Esse indicador reforçava a visão de analistas de que a economia do país já estava em uma profunda recessão.

O agravamento do quadro virá porque serviços não essenciais continuam fechados e o desemprego aumenta semana após semana, cortando a renda e o potencial de consumo das famílias.

O motor da economia americana na última década foi justamente o consumo, responsável por dois terços do PIB.

Em março, as vendas do varejo americano recuaram 8,7%, a mais profunda queda desde 1992.

“A economia está em queda livre, podemos estar nos aproximando de algo muito pior que a grande recessão”, disse Sung Won Sohn, professor na Universidade Loyola Marymount, em Los Angeles.

“É prematuro falar sobre recuperação neste momento, ainda vamos ver muita falência de pequenas e médias empresas.”

FED

Nessa quarta-feira (29), o Fed, banco central americano, manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos próximo de zero, conforme esperado pelo mercado. A faixa de 0 a 0,25% foi implementada, de forma extraordinária, no dia 15 de março, para conter os impactos do coronavírus na economia americana.

Ao comentar a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, alertou para a probabilidade de que a atividade econômica dos EUA “caia em um nível sem precedentes no segundo trimestre”.

“Enquanto muitas estatísticas econômicas ainda têm que alcançar a realidade que estamos vivendo, já está claro que os efeitos do coronavírus na economia são severos”, disse Powell em entrevista coletiva.

Diante do cenário negativo, o Fed espera manter o juros neste patamar “até ter certeza de que a economia resistiu a eventos recentes e esteja a caminho de atingir suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”, diz o comunicado da decisão.

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