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Geral “A gente está vendo cenas de filme de terror”, diz o prefeito de Manaus, que admite fracasso em distanciamento social

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O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB). (Foto: Reprodução)

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), disse que tanto ele quanto o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), fracassaram ao implementar medidas de distanciamento social na capital e no Estado. Segundo Arthur, Manaus vive hoje “cenas de filme de terror”.

O Amazonas registrou mais 469 casos de Covid-19 nesta sexta-feira (01), totalizando 5.723 casos confirmados do novo coronavírus no Estado, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde. Também foram confirmados mais 51 óbitos pela doença, elevando para 476 o total de mortes.

Em entrevista ao jornal O Globo, o prefeito critica a velocidade da ajuda do governo federal à cidade, diz que parte da responsabilidade pela não adesão da população ao distanciamento é do presidente Jair Bolsonaro e diz que, se nada mudar, ele vai recomendar a Lima que decrete o chamado “lockdown”, que implica no fechamento total de todas as atividades comerciais da cidade e o confinamento das pessoas em suas casas.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista:

– O Amazonas tem condições, hoje, de, sozinho, sair da crise de saúde em que está? “Não. Sem o governo federal nos ajudar, não temos como sair dessa crise. Tem que ter uma presença federal muito forte, que a gente não vem percebendo.”

– O senhor é a favor de uma intervenção federal na saúde do estado? “Veja… eu não quero entrar em atrito com o governo do estado. Acho que a situação pode ser resolvida se o governo federal mandar o que a gente precisa por aqui, o que ainda não aconteceu.”

– Como o senhor avalia as ações do governo federal para atender a crise no Amazonas? “Na área da saúde, está horrível. Eu não vi nada, ainda. Estamos aguardando ansiosamente a chegada de aviões Hércules das Forças Armadas com EPIs, respiradores, macacões, insumos que a gente precisa para atender a gente. Está faltando medicamento. Nós estamos racionando remédios. Na época do (ex-ministro da Saúde Luiz Henrique) Mandetta, ele até se fazia presente, mas agora, minha esperança é que o general (Eduardo Pazuello), que conhece a região, possa nos ajudar. Eu estou preocupado porque vi um vídeo com o atual ministro (Nelson Teich), no qual ele fala sobre um dilema entre ajudar um idoso ou um jovem. Eu fico me perguntando: será que vamos ter que chegar a esse ponto e ter que dar ao médico o poder de Deus para escolher quem vive e quem morre?”.

– A crise afetou, também, os serviços funerários. Que medidas vocês estão tomando para evitar um caos nos cemitérios? “Essa situação pegou todo mundo de surpresa. Estávamos numa crise entre parentes de vítimas e os coveiros porque muitos deles estavam trabalhando e caíram doentes. Estão fazendo um trabalho hercúleo. Reforçamos o número de equipes que estão trabalhando lá e colocamos tendas com padres e pastores para darem conforto às famílias. Antes dessa epidemia, a gente enterrava 30 pessoas por dia, em média. Ontem (segunda-feira), enterramos 142, das quais 28% morreram em casa. É quase um terço. Não sei se essas pessoas morreram porque se automedicaram, não tiveram acesso atendimento ou se porque acharam que, como disse o presidente, era só uma gripezinha. É um negócio sinistro, mesmo. A gente está vendo cenas de filme de terror.”

– Para quando está previsto o pico da doença em Manaus? “Nossos estatísticos estimam que o pico deve acontecer na segunda semana de maio.” As informações são do jornal O Globo.

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