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Por Redação O Sul | 3 de maio de 2020
O governo da França apresentou um projeto para estender o estado de emergência sanitária por causa da Covid-19 até 24 de julho — dois meses a mais do que o esperado. O texto precisa de aprovação no Congresso.
Segundo o ministro da Saúde francês, Olivier Verán, encerrar a medida ainda em maio seria “prematuro” devido à circulação persistente do novo coronavírus no país.
Além disso, a França apresentou um plano de desconfinamento. A saída gradual ocorrerá por departamento — tipo de região administrativa francesa — de acordo com os seguintes requisitos: Grau de circulação ativa do novo coronavírus e capacidade nos hospitais.
A partir de 11 de maio, algumas atividades começam a ser retomadas — mas isso também dependerá da situação em cada departamento. Depois, em 2 de junho, haverá uma nova avaliação sobre a epidemia de Covid-19 na França.
Ginásios, teatros e cinemas, por exemplo, ficarão fechados neste mês independentemente da situação epidemiológica local. Por outro lado, escolas até o ensino fundamental começarão a reabrir com limite de alunos por sala. Parques só poderão voltar a funcionar se o coronavírus em 11 de maio nos departamentos em que a circulação do vírus estiver fraca.
“Aprender a conviver com o vírus: esse é o desafio dos próximos meses”, reiterou o ministro do Interior, Christophe Castaner.
Curva se achata na França
Segundo o governo francês, o número de mortes confirmadas por Covid-19 nas últimas 24 horas ficou em 166 no sábado. É uma das menores altas diárias desde que a pandemia se acentuou na Europa.
Ao todo, a França registra 24.854 mortes causadas pelo novo coronavírus. O país tem mais de 168 mil casos confirmados da doença: o quinto mais atingido em todo o mundo.
Muçulmanos
Familiares de vítimas muçulmanas do coronavírus na França denunciam que chegam a levar três semanas para conseguir uma sepultura que respeite os ritos islâmicos nos cemitérios do país.
A crise da Covid-19 expõe a ausência de espaços específicos para a essa comunidade, embora a França seja um dos países laicos que mais abrigam muçulmanos no mundo.
Habitualmente, a maioria dos muçulmanos prefere repatriar o corpo do defunto para o país de origem, em geral na África. Segundo o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), essa é a opção preferida em 80% dos casos.
Entretanto, o fechamento das fronteiras europeias, determinado para controlar a epidemia, impôs a necessidade de os sepultamentos ocorrerem na própria França. O problema leva famílias e associações a apelarem para a Justiça, em busca de uma solução.
“É uma situação horrível. Nossos avós e pais queriam ser enterrados nos seus países de origem, mas nós somos daqui, e aqui queremos ser sepultados. É uma questão que está em aberto para as próximas gerações”, afirma Samad Akrach, presidente da associação Tahara, especializada no tema.
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