Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de maio de 2020
Na reunião em que diz ter sido pressionado pelas falas do presidente a mudar a direção da Polícia Federal, o então ministro da Justiça Sérgio Moro praticamente não falou. Nos trechos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Moro toma a palavra em só duas ocasiões.
No momento em que Bolsonaro reclamou da Polícia Federal, Moro não se pronunciou. Quando Bolsonaro disse que queria “todo mundo armado”, cobrando o então ministro da Justiça, ele também não respondeu.
Na sua primeira fala, Moro elogia o plano Pró-Brasil, apresentado pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto. O plano prevê iniciativas para alavancar o desenvolvimento do país após a pandemia e gerou discórdia com a equipe econômica. O ex-juiz sugeriu que fossem acrescentados ao plano os temas da segurança pública e combate à corrupção.
“Só faria uma sugestão aqui, ministro, se pudesse colocar desde logo em algum momento desse plano, alguma referência importante também a segurança pública e ao controle da corrupção. Foram dois temas centrais, né? Nas últimas eleições”, disse. Braga Netto respondeu que “politicamente cabe aí” e que iria acrescentar uma referência ao tema no plano. E continuou:
“Tem que apontar também que foi uma vitória do governo, do presidente, ano passado houve uma queda expressiva desses principais indicadores criminais. Isso embora seja mais vinculado com a questão da vida e segurança das pessoas, também é um fator importante aí pro investimento econômico, pra atrair, melhorar o ambiente econômico. E o controle da corrupção também é pressuposto, né? Então faria aí exclusivamente essa sugestão específica”, concluiu. “Muito obrigado. Já tá anotado”, diz Braga Neto.
A segunda intervenção de Moro é quando é parabenizado por Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, pelo reforço da Polícia Federal na segurança das agências da Caixa durante a pandemia.
Na revista Time
Em entrevista à revista “Time”, compartilhada em suas redes sociais, Sérgio Moro diz que aceitou ser ministro da Justiça “não para servir a um mestre”, mas ao Brasil. Ele diz ainda que as instituições do país estão funcionando, embora sofram alguns ataques. Moro deixou o governo no fim de abril e disse que o presidente Jair Bolsonaro queria intervir na Polícia Federal.
A revista faz um resumo do papel de Moro na Lava-Jato e o descreve como um herói para a direita e um bicho-papão para a maior parte da esquerda. Na entrevista, Moro afirma que nunca se propôs a mudar o curso da história brasileira.
“É tudo muito circunstancial. As coisas podem acabar tendo grandes consequências”, disse ele à revista em uma conversa por vídeo em um quarto de um hotel em Brasília. “Mas eu também não exageraria minha influência. Especialmente agora, sou apenas um cidadão comum”, revela.
A publicação diz ainda que Bolsonaro se referiu a Moro como Judas pelas declarações que fez quando deixou o governo. “Não era minha intenção prejudicar o governo. Mas eu não me sentiria confortável com minha consciência sem explicar por que estava saindo”, disse.
Moro diz ainda que o Brasil é uma democracia firme e que as instituições são atacadas, mas continuam funcionando. “E há uma percepção crescente na opinião pública de que precisamos fortalecer os pilares da nossa democracia, incluindo o Estado de Direito. Esses desejos continuam, apesar das circunstâncias do momento”, finalizou.
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