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Política Bolsonaro se irrita ao ser cobrado por uma mulher, no Palácio da Alvorada, e culpa governadores por mortes na pandemia

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Presidente classificou operação contra aliados, determinada pelo STF, de "abuso". (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro se irritou na manhã desta quarta-feira (10) ao ser cobrado por uma mulher que estava entre os apoiadores no Palácio da Alvorada pelos mortes causadas pela pandemia de Covid-19 no Brasil e jogou sobre os governadores dos Estados a culpa pelos óbitos provocados pela doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

“Nós temos hoje 38 mil famílias com mortos por causa da Covid. E realmente, assim, não são 38 mil de estatística. São 38 mil famílias que estão morrendo neste momento, 30 mil pessoas que estão chorando. Como chefe da nação, eu fiz campanha para o senhor, acho até que o senhor me conhece. Eu sinto que o senhor traiu nossa população”, disse a mulher, logo na chegada de Bolsonaro ao local onde estavam seus apoiadores.

O presidente então a deixou falando e saiu de perto. Quando a mulher insistiu, encobrindo a fala de um homem que se disse representante dos caminhoneiros, Bolsonaro se irritou e mandou que ela saísse do local.

“Se quiser falar, sai daqui, que você já foi ouvida. Sai daqui”, disse o presidente que, diante da insistência da mulher, disparou: “Vai cobrar de seu governador”.

Depois, enquanto falava com outras pessoas que estavam no local, Bolsonaro acusou a mulher de fazer “demagogia” ao mesmo tempo que reiterou que não é responsável pelas vítimas da Covid-19.

“Você pode ver, tem aquela figura falando abobrinha aqui. Quem decidiu que lockdown, fechar comércio, competia exclusivamente aos governadores foi o STF. Em vez de falar uma coisa séria, vem fazer uma demagogia aqui”, disse, ao afirmar que lamenta as mortes.

“Agora, querer culpar a mim, quando quem fechou… Tem muita gente morrendo de fome, depressão, suicídio, de uma política que foi feita pensando apenas em um lado, não pensando no todo.”

Desde o início da epidemia, Bolsonaro tem responsabilizado os governadores pelos problemas econômicos e, recentemente, tem também atribuído às mortes causadas pela Covid-19 aos gestores estaduais e municipais.

Na segunda-feira (8), também ao conversar com apoiadores no Alvorada, Bolsonaro disse que “essa questão de desemprego e mortes, o Supremo Tribunal Federal deu todo poder a eles (governadores)”.

O Brasil chegou nesta quarta-feira a 39.680 mortes causadas pelo coronavírus, e 772.416 casos confirmados de Covid-19, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Eficácia no combate

O Brasil aparece nas posições medianas de um ranking que avalia o nível de segurança e o fator de risco para o novo coronavírus. A classificação foi realizada pelo Deep Knowledge Group, um consórcio de empresas e organizações sem fins lucrativos, que analisou 200 nações.

Em 91º lugar, o Brasil fica atrás do Sri Lanka, Bangladesh e Mongólia. Com uma pontuação de 470, figura entre os que estão no terceiro pior nível de segurança – de um total de quatro –, muito atrás da Suíça, que foi considerado o país mais seguro no mundo em se tratando de Covid-19. O Sudão do Sul aparece em último lugar. Já a França está na 60ª posição.

“Algumas das maiores regiões econômicas da América do Sul, como o Brasil, têm sido comparativamente lentas para impor medidas de lockdown por medo de repercussões econômicas e, no final de maio, viram rápidos aumentos nas taxas de crescimento de Covid-19, com o Brasil subindo em um período muito curto de tempo para a segunda posição no mundo em número total de casos”, diz o relatório “Avaliação de Segurança Regional da Covid-19”, de 250 páginas, da Deep Knowledge Group.

A pontuação de 470 do País foi obtida somando os números de seis categorias analisadas (eficiência de quarentena, eficiência governamental, monitoramento e detecção, prontidão para cuidados de saúde, resiliência regional e preparação para emergências).

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