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Brasil Seis em cada dez brasileiros conseguem manter o peso durante quarentena

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Quase metade dos entrevistados (48,1%) afirmou sentir mais vontade de comer, mesmo quando não está com fome. (Foto: Pixabay)

No início da quarentena, uma das preocupações de quem estava praticando isolamento social por causa do novo coronavírus era de que a nova rotina e a ansiedade resultassem em ganho de peso. Mas um levantamento feito por um grupo de pesquisadores das áreas de endocrinologia, psicologia e patologia apontou que seis em cada dez brasileiros conseguiram manter o peso, mesmo com o aumento, de um modo geral, do consumo de pães e massas no período. Manter hábitos alimentares saudáveis e praticar atividade física estão entre os segredos de quem está vivendo o período sem engordar nem emagrecer.

O levantamento foi feito por meio de um questionário online, que foi respondido por 1.470 pessoas e levou em consideração o Índice de Massa Corporal (IMC), tempo de isolamento e alimentação durante a quarentena. Ele também apontou que hábitos como prática de atividades físicas e consumo de álcool tiveram impacto na variação de peso da população.

Quase metade dos entrevistados (48,1%) afirmou sentir mais vontade de comer, mesmo quando não está com fome, mas 44% afirmaram que não mudaram os hábitos alimentares. Segundo a pesquisa, 23% dos entrevistados ganharam peso e 17% relataram que emagreceram. A variação de peso é considerada quando é superior a um quilo.

“Tem piada o tempo todo nas redes sociais sobre aumento de peso durante a pandemia. Preparamos esse formulário e 60% das pessoas não tiveram variação de peso. Vimos também o tempo de isolamento, de zero a 15 dias, entre 15 e 30 dias e mais de 30 dias. As pessoas que estavam há mais tempo em isolamento foram as que mais variaram o peso. Tanto para ganhar quanto para perder”, explica a endocrinologista Rosita Fontes, que é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e uma das integrantes da equipe que fez o levantamento.

De acordo com o levantamento, o ganho médio de peso foi de 2,8 kg, mas as pessoas engordaram entre 1,1 kg e 12 kg, este último número foi registrado entre participantes que estavam isolados há mais de 45 dias. Na outra ponta, a perda média de peso ficou em 2,6 kg. Os entrevistados informaram que perderam entre 1,1 kg e 8 kg – neste caso, entre isolados há mais de 30 dias.

A preocupação dos pesquisadores em relação às variações de peso, principalmente no caso de engordar, diz respeito à relação entre obesidade e o novo coronavírus. Por causar um processo inflamatório, a obesidade dificulta a resposta imunológica do paciente ao vírus. “Alguns casos de jovens com casos graves de covid-19 têm sido em obesos.” No Brasil, quase 20% da população é considerada obesa e mais da metade dos brasileiros está acima do peso.

Segundo Rosita, embora todos os grupos tenham aumentado o consumo de carboidratos, o índice foi maior entre os que ganharam peso. “Só 10% dos entrevistados relataram que estão comendo mais frutas e verduras. No geral, a maioria não mudou os hábitos alimentares, mas 39% estão comendo mais massas e pães. Só que esse porcentual é maior entre as pessoas que engordaram. Vimos que 65% das pessoas que ganharam peso estão entre as que consumiram mais carboidratos. As pessoas que estão consumindo mais verduras e frutas perderam peso. Mas não é só o tipo de alimentação que conta. É o conjunto de fatores. Entre os que ganharam peso, 64% passaram a se exercitar menos e 40% passaram a consumir mais álcool. Dos que diminuíram o peso, 29,9% estão com mais vontade de comer, mesmo sem fome. Nos que engordaram, foram 72,1%.”

Há quase três meses, a dentista Lizabete Zouain Fontes de Rezende, de 64 anos, só sai de casa para ir ao médico ou para atender algum paciente. Ela conta que manteve hábitos saudáveis de alimentação e não teve alterações de peso no período. “Eu estava com restrição de açúcar e carboidrato, já tinha perdido dez quilos. Agora, comecei a comer carboidrato, porque a gente fica dentro de casa e faz arte, mas tenho uma alimentação saudável.”

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