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Mundo Nas redes sociais, apoiadores de Bolsonaro atacam a parceria entre o Instituto Butantan e a China para teste de vacina contra o coronavírus

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anuncia a parceria do Instituto Butantan com laboratório da China ao lado de Dimas Covas. (Foto: Governo de São Paulo)

A parceria entre o Instituto Butantan e a empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech para a realização de testes de uma vacina candidata contra a Covid-19, anunciada na última quinta-feira pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi alvo de influenciadores digitais e políticos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. No Twitter, a hashtag “#vacinachinesa” esteve entre os temas mais discutidos na rede social na manhã desta sexta-feira. As publicações criticam a aliança entre o governador paulista e a China e sugerem, sem base científica, uma conspiração contra o governo.

O coronavírus Sars-CoV-2 foi identificado pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan em dezembro de 2019. A desconfiança em torno do imunizante, que será testado em 9 mil voluntários brasileiros ao custo de R$ 85 milhões, não foi alimentada apenas por usuários alinhados com o bolsonarismo, que já reproduziram declarações xenofóbicas sobre o papel da China na pandemia de Covid-19, mas por figuras diretamente ligadas ao poder, como o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, e o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, aliado próximo de Bolsonaro.

Jefferson, condenado pelo Mensalão, e Camargo, que coleciona polêmicas à frente do cargo e, mais recentemente, atacou o movimento negro, não só insinuaram ligações entre Doria e a China como desencorajaram brasileiros a tomarem a vacina, que ainda está na fase de testes clínicos.

“Laboratório chinês criando vacina contra vírus chinês e com a pesquisa bancada por um governador que é grande parceiro da China? Eu que não quero essa vacina, e vocês?”, escreveu Jefferson. A mensagem foi replicada mais de 4 mil vezes no Twitter. O presidente da Fundação Palmares, por sua vez, escreveu: “Sou paulistano e faço um apelo a meus familiares, aos quais desejo todo o bem do mundo: não tomem a vacina chinesa do Doria!”.

Embora algumas mensagens sugiram implicitamente que há um plano oculto da China para favorecer Doria, que se distanciou de Bolsonaro desde sua posse e assumiu um discurso de oposição durante a crise causada pela pandemia, não há evidências científicas que sustentem as insinuações conspiratórias.

A hipótese de que o Sars-CoV-2 foi criado em laboratório pela China já foi descartada por cientistas. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconheceu que o vírus foi transmitido para os humanos a partir de um animal.

Além disso, a classificação da vacina como “chinesa” remonta à definição do coronavírus como “vírus chinês”, usada, por exemplo, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A China tem denunciado a fala como racista, e campanhas de conscientização contra a discriminação de chineses e asiáticos durante a crise da Covid-19 foram conduzidas em vários países, incluindo o Brasil.

Deputados criticam acordo

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) falou em “guerra” a ser enfrentada pela base bolsonarista e insinuou que a vacina faz parte de um projeto presidencial de João Doria, que se distanciou de Bolsonaro após a posse, em janeiro de 2019, e assumiu um discurso de oposição contundente desde a chegada do Covid-19 ao país.

“O partido comunista chinês junto com João Doria, começa a campanha presidencial de 2022 com a vacina contra o COVID-1 (sic). Os comunistas avançam de forma ostensiva contra os patriotas e o presidente Bolsonaro. Acreditem, a guerra que enfrentaremos será dantesca”, escreveu Silveira, que ganhou notoriedade na campanha de 2018 por quebrar uma placa que homenageava a vereadora assassinada Marielle Franco.

Outra integrante da bancada bolsonarista no Congresso, Major Fabiana (PSL-RJ) preferiu publicar uma enquete na qual usuários da rede social poderiam opinar se tomariam ou não a vacina que será testada em São Paulo. Até a conclusão deste texto, 92% manifestaram que não se imunizariam.

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