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Política Após encontro do ministro da Educação com manifestantes que atacaram o Supremo, Bolsonaro estuda a demissão do auxiliar

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Presidente diz que ministro não foi "prudente" e que procura como "solucionar" o caso. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A ida do ministro da Educação, Abraham Weintraub, a uma manifestação no último fim de semana em Brasília no momento em que o presidente Jair Bolsonaro tem buscado a conciliação com Judiciário irritou o presidente ao ponto de ele começar a cogitar uma saída honrosa de Weintraub do governo.

Aliados de Bolsonaro afirmam que a melhor alternativa seria Weintraub deixar a pasta para evitar mais desgastes com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista à BandNews TV nesta segunda-feira (15), Bolsonaro afirmou que Weintraub não foi “prudente” por ter comparecido ao ato e que esse é um problema que está tentando “solucionar”.

A aliados, porém, Bolsonaro diz ter “apreço” pelo ministro, que também tem forte apoio da militância ideológica e dos filhos: o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Bolsonaro e Weintraub se reuniram na tarde desta segunda no Palácio do Planalto. Segundo fontes, Bolsonaro vai buscar alternativas que agradem Weintraub, considerado até então por alguns interlocutores de Bolsonaro como um ministro quase indemissível.

Desde que assumiu o Ministério da Educação (MEC), Weintraub se fortaleceu junto à militância ideológica de Bolsonaro. Interlocutores comparam a força de Weintraub no governo com a de Sérgio Moro quando era ministro da Justiça, que chegou a ser considerado um dos pilares do bolsonarismo no combate à corrupção. Além disso, Weintraub e seu irmão, Arthur Weintraub, mantêm uma relação de amizade com Carlos e Eduardo Bolsonaro ao ponto de frequentarem a casa e participarem juntos de churrascos no fim de semana.

Pressão

A pressão pela saída de Weintraub aumentou após a revelação das declarações na reunião ministerial de 22 de abril, na qual chamou o ministros do Supremo de “vagabundos” e defendeu mandá-los para a prisão. As falas repercutiram mal no Judiciário, mas acabaram aplaudidas pela ala ideológica bolsonarista nas redes sociais. Na reunião, Weintraub também disse odiar os termos “povo indígena” e “povo cigano”, o que gerou investigação por racismo no Supremo. O ministro teve, inclusive, de prestar depoimento junto à Polícia Federal sobre as manifestações.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que a investigação contra o ministro não terá um desfecho feliz caso ele continue a frente do governo. Isso porque no último domingo (14) o ministro voltou a usar a expressão “vagabundos” durante a manifestação em Brasília. Desta vez, ele não fez referência direta aos ministros do Supremo, como em abril.

As novas manifestações serviram como combustível para que ministros próximos a Bolsonaro pedissem a saída imediata de Weintraub como uma sinalização de busca pela paz. Deputados próximos a Bolsonaro defendem, inclusive, que o nome do novo indicado seja sugerido por aliados políticos. Porém, segundo fontes, Bolsonaro resiste e quer alguém de perfil ideológico.

Com Weintraub demissionário, aliados do presidente Jair Bolsonaro começaram a sugerir nomes  de pessoas que inclusive já estão na estrutura do governo como a secretária de Educação Básica do MEC, Ilona Beckskehazy, e o presidente da Capes, Benedito Aguiar. Além desses, o nome do ex-ministro Mendonça Filho foi ventilado como uma opção que agradaria ao “centrão”. O educador Antônio Freitas, da FGV, também já foi aventado como uma opção para a pasta.

No Senado, parlamentares criticam a ausência de senadores em ministérios e lembram que Bolsonaro já indicou quatro deputados para compor o governo. Líderes partidários sugerem o nome de Izalci Lucas (PSDB-DF), já que a indicação dele beneficiaria Luiz Felipe Belmonte, suplente de Izalci e criador do Aliança pelo Brasil. Porém Izalci sofre resistência por ser do PSDB. Desde o ano passado, o senador, que tem atuação na área da educação, já era cotado para a vaga.

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