Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 15 de junho de 2020
Em meio às pressões dos prefeitos das quatro regiões do Rio Grande do Sul inconformados com a mudança da bandeira laranja (médio risco) para vermelho (alto) em seus municípios, nesta segunda-feira o governador gaúcho Eduardo Leite se mostrou decidido a manter a ampliação de restrições. Segundo ele, só haverá recuo na medida se forem constatados erros nos dados que serviram de base para as novas regras.
A mudança de bandeira “apertou o cinto” para as regiões de Caxias do Sul, Santo Ângelo, Santa Maria e Uruguaiana. Os prefeitos destas e de outras cidades abrangidas chegaram a enviar um ofício com questionamentos ao Palácio Piratini.
“Não se negocia com a saúde e com vida da população”, declarou em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (15). Ainda no que diz respeito às reclamações dos prefeitos sobre a mais recente atualização do sistema de distanciamento controlado, Leite prometeu dialogar, mas foi enfático: “Não negociamos com a vida, não negociamos com a saúde da população”.
Outro ponto que tem suscitado debates, a eventual retomada do Campeonato Gaúcho na segunda quinzena do mês que vem é avaliada com ressalvas pelo chefe do Executivo. Ele admitiu considerar difícil que o torneio volte tão cedo, com base nas atuais condições sanitárias do Rio Grande do Sul:
“O Estado tem poucas regiões com bandeira amarela [risco baixo], nas quais as partidas podem ser realizadas. Então, uma competição de alto nível como esta ficaria. No entanto, estamos abertos à discussão, vamos ouvir e tomar decisões respeitando as vidas das pessoas”. A pauta voltará a ser discutida com a FGF (Federação Gaúcha de Futebol) ainda nesta semana, pela terceira vez.
Também nesta segunda-feira, durante mais uma transmissão pela internet, Eduardo Leite informou que não haverá o retorno automático das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul no dia 1º de julho, conforme estava previsto em um plano apresentado em maio pelo próprio Executivo.
Por tempo indeterminado, as atividades escolares permanecem remotas devido à pandemia de coronavírus. De acordo com o governador, o tema é de grande interesse geral e continuará sendo discutido nos próximos dias, levando-se em conta inclusive a recente mudança para a bandeira vermelha em algumas regiões do Estado.
Nesta segunda-feira, foram autorizados a retomar as atividades presenciais as disciplinas práticas e estágios curriculares de graduação, pós-graduação e cursos técnicos, bem como os cursos livres, em localidades com bandeiras amarela e laranja.
Novas bandeiras
As novas bandeiras entraram em vigor nesta segunda-feira, com validade até o dia 21 de junho – com exceção das regiões com bandeira vermelha, que permanecerão com essa classificação pelas próximas duas semanas.
Conforme o governo, as mudanças decorrem de dois fatores: a contínua piora dos indicadores de propagação e de capacidade do sistema de saúde e a revisão dos indicadores e dos pontos de corte realizada pelo Estado, que tornou o modelo mais sensível à evolução da Covid-19 e mais restritivo às situações mais críticas da pandemia.
Além disso, a região de Bagé passou de bandeira amarela para laranja, e a região de Santa Cruz do Sul obteve melhora nos indicadores, indo de bandeira laranja para amarela. As demais regiões não tiveram alteração na classificação final, sendo que as regiões de Taquara, Pelotas e Cachoeira do Sul permanecem em bandeira amarela.
Mesmo com os alertas feitos desde a semana passada, o Estado continuou apresentando piora nos indicadores em relação à pandemia. O número de novos registros de hospitalizações por Covid-19 nos últimos sete dias, em relação à semana anterior, apresentou um aumento de 32,8%, passando de 241 para 320.
(Marcello Campos)
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