Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de dezembro de 2018
O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse que a advogada e pastora Damares Alves “está na frente” para chefiar o novo Ministério de Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher. A declaração foi dada após o deputado participar de uma formatura de cadetes aspirantes a oficial do Exército, na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), em Resende (RJ).
Bolsonaro disse que o assunto foi conversado “muito por alto” com ela. “Não foi prometido nada, mas seria do meu entender uma pessoa extremamente qualificada para desempenhar a função”, afirmou.
A advogada trabalha como assessora lotada no gabinete do senador e candidato derrotado à reeleição Magno Malta (PR-ES), um dos políticos mais próximos de Bolsonaro na campanha e que esperava ter sido nomeado para o cargo.
O presidente eleito disse que Malta é uma boa pessoa e que pode se habilitar para a função, mas afirmou que quem está na frente é Damares Alves. “Tenho certeza que o Magno Malta saberá colaborar e muito com o Brasil, independentemente de ser ministro ou não”, ponderou.
Bolsonaro informou também que o nome do engenheiro agrônomo Xico Graziano não está descartado para o Ministério do Meio Ambiente. “Coloquei para ele os problemas que temos e ele é extremamente favorável a atender o que eu propus a ele”, afirmou, citando como exemplo o grande volume, segundo ele, de multas aplicadas pelo Ibama. “O homem do campo não pode ter gente no Governo maltratando quem produz”, declarou.
Bancada evangélica
Na composição do governo, o presidente eleito provocou mal-estar com a bancada evangélica. Depois de rejeitar nomes defendidos pela bancada para a pasta de Cidadania, ele convidou a advogada e pastora Damares Alves para chefiar o novo Ministério de Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher.
Para boa parte dos 88 deputados federais e quatro senadores da bancada evangélica, a escolha de Damares “atravessou” os líderes do grupo e foi uma “afronta” e “ingratidão” a Magno Malta. O nome de Damares na lista de cotados para assumir uma pasta foi divulgado pela revista digital Crusoé na tarde de quinta-feira (29). Auxiliares da equipe de Bolsonaro disseram que a própria Damares teria demonstrado desconforto quando recebeu o convite do presidente eleito. Para integrantes da bancada evangélica, qualquer convite a Malta a partir de agora é “tardio” e não deveria ser aceito por uma questão de “bom senso”. Não se cogita, porém, rompimento.
Magno Malta enfrenta forte resistência do núcleo militar do governo de transição. Os generais da reserva que compõem o grupo reiteraram a Bolsonaro que o senador não agrega à equipe ministerial. Pessoas próximas de Malta avaliam que o senador se desdobrou na campanha de Bolsonaro, especialmente depois do atentado sofrido pelo então candidato à Presidência em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro, que o tirou das ruas.
No começo da semana, Bolsonaro pediu à bancada evangélica que apresentasse uma lista tríplice de nomes para a pasta da Cidadania. Numa decisão que não foi unânime, a bancada acabou entregando os nomes ao presidente eleito, que, no entanto, anunciou o nome do deputado gaúcho Osmar Terra (MDB), para melhorar o trânsito no partido. Integrantes do grupo avaliaram que houve um desgaste desnecessário e injusto. O coordenador da bancada, Hidekazu Takayama (PSC-PR), chegou a afirmar que retirou os nomes indicados para integrar o novo governo.
Um dos poucos que quiseram falar sobre a relação da bancada com o futuro governo, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) admitiu que há um “mal-estar” diante desse vai e vem da transição. “É lógico que isso provoca um mal-estar. Mas o governo está no seu início, nem começou”, contemporiza o parlamentar. Entre os evangélicos, Sóstenes é dos que avaliam que não cabe à bancada pleitear cargos, pois em votações de determinados projetos não há consenso no grupo, especialmente em propostas das áreas política e econômica. “Avalio que as frentes não existem no Parlamento para essa finalidade.”
Na sexta-feira (30), Bolsonaro afirmou em uma formatura de tenentes da Força Aérea Brasileira, acompanhado de militares escolhidos para seu governo e do senador eleito Major Olímpio (PSL), que Magno Malta não será abandonado em seu governo, porém não será possível entregar um ministério a ele.
Até agora, 20 ministros já foram anunciados . Na campanha, ele dizia que faria um governo com apenas 15 pastas. O número de ministérios pode, no entanto, chegar a pelo menos 22. Além da pasta de Direitos Humanos, Família e Mulheres, o presidente eleito anunciou o nome para Minas e Energia: Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, diretor geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha. Deve ainda anunciar o titular de Meio Ambiente. Ele ainda analisa se mantém como ministérios Trabalho e Indústria e Comércio.
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