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Economia A aliança com a Renault não está em perigo, disse o presidente da Nissan

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Hiroto Saikawa não quis, porém, falar sobre o futuro de Ghosn, que foi seu mentor. (Foto: Reprodução)

A aliança industrial entre a Renault e a Nissan não está em perigo, garantiu o presidente da fabricante japonesa de automóveis em entrevista nesta segunda-feira (07), em meio à crise causada pela prisão, em novembro, do executivo brasileiro Carlos Ghosn.

Hiroto Saikawa não quis, porém, falar sobre o futuro de Ghosn, que foi seu mentor. Detido em Tóquio por suspeita de fraude, Ghosn comparece pela primeira vez à Justiça nesta terça-feira (08).

Tanto a Nissan quanto a Mitsubishi afastaram Ghosn da presidência após a sua detenção. Já a Renault decidiu mantê-lo como conselheiro, por enquanto, invocando a presunção de inocência.

“O sistema judicial japonês segue seu curso. Não tenho nada a dizer. Quero apenas me concentrar na estabilização da companhia e fazê-la avançar passo a passo”, disse Saikawa, na primeira entrevista a um veículo de imprensa estrangeiro desde que o caso veio à tona.

O presidente, de 65 anos, um dos homens de confiança de Ghosn, surpreendeu com suas duras palavras após a prisão do brasileiro. Saikawa garante estar em contato “quase diário” com a Renault, apesar das tensões.

Prisão

Carlos Ghosn, detido no Japão por suposta fraude, pode ser libertado da prisão com a “única condição” de assinar uma confissão escrita em japonês, língua que não compreende, declarou o filho do presidente da Renault, Anthony Ghosn, em entrevista ao jornal francês Journal du Dimanche.

Assegurando que seu pai está “disposto a se defender” perante um tribunal de Tóquio nesta terça, Anthony Ghosn explicou que a “única condição imposta para a sua liberdade é uma confissão”. “O paradoxal é que a confissão está escrita apenas em japonês”, enquanto “ele não fala este idioma”, reclamou o filho.

Ele pode “dizer ao promotor que rejeita as acusações contra ele, ou confessar e ser libertado. Há sete semanas, sua decisão é bastante clara”, ressaltou. “Não tenho nenhuma notícia direta dele, tenho apenas por meio de seus advogados japoneses. Está em boa forma. Está disposto a se defender energicamente e está muito focado em responder às acusações contra ele”, disse o jovem de 24 anos, que falou pela primeira vez com a imprensa.

A audiência “será muito importante”, acrescentou. “Pela primeira vez, poderá falar sobre os fatos da acusação, expressar sua visão. Acho que todos ficarão muito surpresos ao ouvir a sua versão da história. Até agora, só ouvimos a acusação falar. Terá dez minutos para falar e não vai desistir”, afirmou Anthony Ghosn.

Na sexta-feira (04), os advogados de Ghosn fizeram um pedido especial para que seu cliente pudesse comparecer à Corte e tomar conhecimento por parte da Procuradoria, publicamente, dos motivos de sua detenção. O pedido foi feito com base em um dispositivo especial do artigo 34 da Constituição japonesa. O tribunal não pode rejeitá-lo.

Segundo o seu filho, “ele resiste, ainda que tenha perdido cerca de dez quilos comendo três bowls de arroz por dia. As condições não são muito saudáveis. Mas ele assume tudo isso como um desafio e lê livros que enviamos quase todos os dias”.

Detido em 19 de novembro e ainda preso, está obrigado a se manter em silêncio, e seus advogados não podem assistir aos interrogatórios, nem têm acesso às provas do caso.

Detido em Tóquio por suspeita de fraude, Ghosn comparece pela primeira vez à Justiça nesta terça-feira. (Foto: Reprodução)

 

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