Quinta-feira, 21 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de dezembro de 2018
Os argentinos receberam duas más notícias relacionadas à economia nesta quinta-feira (27): o aumento de tarifas e retração na economia.
A primeira notícia, que se relaciona imediatamente com seus gastos cotidianos, é um aumento de 40% das tarifas de todos os serviços de transporte público, que começará a valer no próximo dia 12 de janeiro.
A segunda notícia foi a medição, anunciada pelo Indec (IBGE local), da retração econômica de 4% trimestral, em outubro, acumulando um retrocesso de 1,7% até agora, no ano. A previsão é que se chegue a 2%.
Os setores que tiveram pior desempenho, segundo os dados do Indec, foram o comércio (-11,2%), a indústria (-6%), os transporte e as telecomunicações (-3,3%).
O ajuste dos transportes, que deve ser seguido pelos de aumento em outros serviços, gás, eletricidade e água, é parte dos ajustes previstos pelo Orçamento aprovado pelo Congresso que busca satisfazer os requisitos feitos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e garantir a linha de crédito concedida pela entidade, de US$ 57 bilhões.
A estratégia do governo é anunciar os aumentos das tarifas públicas o mais rápido possível, no primeiro trimestre do ano, visando não impactar no resultado das eleições presidenciais e legislativas de outubro.
No começo do ano, o bilhete de metrô custava 6 pesos, em outubro passou a 13 pesos. Agora, com o novo aumento, irá a 18 pesos (R$ 1,82).
Os números com que a Argentina está terminando o ano contrastam muito com o que o governo havia prognosticado em seu início. As estimativas eram de um crescimento de 3% do PIB, uma inflação de 15%, e um dólar por volta dos 20 pesos.
Em dezembro, a situação é completamente distinta, o país se encontra em recessão, o PIB deve se contrair em 2%, a Argentina teve de pedir dois empréstimos ao FMI (no total de US$ 57 bilhões), a inflação chega a esse fim de ano a 47% e o dólar vale 39 pesos, segundo a cotação desta quinta-feira.
Houve uma desvalorização de mais de 55% da moeda argentina desde janeiro.
O governo culpa o cenário internacional, a alto das taxas de juros nos EUA, a fragilidade da economia e da moeda argentina frente ao dólar e alguns fatores internos, entre eles a pior seca em 50 anos, que comprometeu uma safra inteira da produção de soja.
Ao mesmo tempo, o presidente Mauricio Macri tinha como objetivo retirar os subsídios da era kirchnerista de maneira gradual, para não impactar muito a população do seu país.
Mas isso provocou um trauma no humor nacional porque os aumentos passaram a ser quase que mensais. Em seus encontros com Christine Lagarde, do FMI, a orientação foi deixar o gradualismo de lado e fazer os ajustes necessários imediatamente, para chegar ao déficit fiscal zero ainda no ano de 2019.
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