Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de janeiro de 2020
O governo do presidente argentino Alberto Fernández oficializou a criação do plano nacional contra a fome, que será liderado pelo Ministério do Desenvolvimento Social do país. O objetivo do plano é “garantir segurança e soberania alimentar a toda população e às famílias argentinas, com especial atenção aos setores de maior vulnerabilidade socioeconômica”. As informações são das agências de notícias Ansa e AFP.
Na resolução do projeto, é indicado que “em virtude da emergência alimentar e nutricional que atravessa” a Argentina, “é essencial compreender que todas as ações e estratégias realizadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social, através de seus diversos programas, tem o objetivo de responder a esta situação”.
Ainda foi informado que para combater o problema da fome na Argentina, “é necessária uma abordagem global”.
O programa contra a fome na Argentina inclui vários projetos promovidos por Alberto Fernández desde a sua posse, quando o presidente transformou essa política em um dos pilares de seu governo.
Entre esses projetos, o governo estabeleceu o objetivo de distribuir 1,4 milhão de cartões de alimentos com orçamento entre quatro e seis mil pesos argentinos por mês, dependendo do número de crianças da família.
As beneficiárias do plano serão mães e pais com filhos e filhas de até 6 anos de idade que recebem o Auxílio Universal da Criança (AUH), grávidas a partir dos três meses de gestação que recebem o auxílio à gravidez e pessoas com deficiência que ganham um valor fixo mensal para comprar alimentos, exceto bebidas alcoólicas.
Inflação da Argentina
A inflação da Argentina foi de 53,8% em 2019, a mais alta desde 1991 e uma das mais elevadas do mundo, informou nesta quarta-feira (15) o instituto de estatísticas Indec. Este índice foi alcançado após o custo de vida aumentar 3,7% em dezembro.
Segundo o Indec, o setor que mais aumentou no ano passado foi o de saúde (+72,1%), seguido de comunicação (+63,9%) e equipamentos e manutenção do lar (+63,7%).
Enquanto isso, o setor de alimentos e bebidas não alcoólicas registrou uma inflação acumulada de 56,8%.
A inflação da Argentina está entre as mais altas do mundo e é a mais elevada da América Latina, fora a hiperinflação da Venezuela.
Em 2018, a Argentina tinha registrado um índice de preços ao consumidor de 47,6%.
O indicador divulgado nesta sexta corresponde ao último ano do governo do ex-presidente liberal Mauricio Macri, que deixou o poder em 10 de dezembro, quando o peronista de centro-esquerda Alberto Fernández assumiu.
A inflação é um problema recorrente na Argentina, que sofreu duas hiperinflações em sua história recente: em 1989 (3.079%) e em 1990 (2.314%).
A alta de preços foi solucionada com um plano de paridade cambial 1 a 1 entre o peso e o dólar aplicado em 1991, ano em que a inflação foi de 84%.
A paridade peso-dólar se manteve por 11 anos, mas levou à grande crise de 2001, quando a Argentina declarou moratória de 100 bilhões de dólares.
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