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Rio Grande do Sul A atriz Maria Zilda lança nesta quarta-feira em Porto Alegre o seu livro de memórias

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Com cerca de 40 novelas no currículo, artista tem se notabilizado também pelas polêmicas. (Foto: Divulgação)

A atriz Maria carioca Zilda Bethlem, 66 anos, é a atração desta quarta-feira na passarela de eventos do Pop Center (o popularmente conhecido “Camelódromo), no Centro Histórico de Porto Alegre. Das 14h às 16h, ela autografa o seu livro de memórias “A Caçadora de Amor”. O evento é aberto ao público e tem entrada fraca.

Editada de forma independente, a publicação tem como base apontamentos da vida e da carreira da artista, que nos últimos anos tem estado nos holofotes da mídia mais pelas polêmicas que pela sólida trajetória na TV (com cerca de 40 novelas) e, em menor escala, no cinema. Em 212 páginas, ela compartilha detalhes de sua adolescência conturbada, as experiências com drogas, bastidores de seus casamentos, a atração por mulheres e as relações com colegas de profissão.

Memórias

“A Caçadora de Amor” dedica especial atenção à amizade desde a juventude com o ator e diretor Jorge Fernando, da Rede Globo, falecido no final de outubro e que era padrinho de Raphael, um dos dois filhos da atriz.

“Jorginho morava no Méier [Zona Norte do Rio de Janeiro] em 1970 e não tinha dinheiro para comprar um carro, então eu ia buscá-lo em casa de moto, fato que deixava Dona Hilda [mãe dele] brava comigo”, relembra a atriz.

“Ele pulava na minha garupa e a gente ia para a Zona Sul, onde conhecíamos atores, produtores, diretores”, prossegue. “Queríamos trabalhar. Íamos de porta em porta procurando personagem. Nossa amizade foi sempre muito boa.”

Ainda segundo ela, o amigo “era um poço de energia, talento e criatividade” e tinha “grande facilidade para criar boas cenas, de forma que se você estivesse em dúvida, ele fazia tudo e era só você copiar”.

A parceria se estendia às viagens em dupla, para os mais variados destinos turísticos – Londres (Inglaterra), Nova Iorque (Estados Unidos) e Roma (Itália) foram alguns dos locais. “Passeamos muito, trabalhamos, nos divertimos”, conta Maria Zilda. “Era uma amizade intensa”.

A atriz revela que a última vez que teve uma boa conversa com Jorge Fernando foi em 2016, na fase da final da novela “Êta Mundo Bom!”, dirigida por ele e escrita por Walcyr Carrasco. “Quando terminaram as gravações, eu ligava para ele e a gente se falava. Eu sentia que ele estava meio arredio, triste. Quem tem muita energia não pode ficar doente.”

“Em 2017, após o AVC [acidente vascular cerebral], ele meio que se afastou de todo mundo, então perdi um pouco de contato. Eu ligava para saber se ele estava bem e ele dizia que sim, mas eu sabia que não. Naquele ano quase não falei com ele”, lamenta. “Ele devia estar muito bravo por estar doente. Ele tinha amor pela vida e uma energia enorme.”

Apesar de lamentar o ocorrido, Maria Zilda afirma que procura ver “o lado bom” da morte do amigo que, segundo ela “estava precisando descansar”. Nesse sentido, ela pondera sobre a morte com o pensamento de que não vale a pena existir quando não é mais possível “saborear a vida”.

“Não digo isso como consolo nem para mim e nem para a família dele, mas acho que estava muito cansado, não parava”, finaliza. “Falei pra ele que ele já estava cheio de dinheiro, tinha casa em tudo quanto era lugar do Rio de Janeiro e deu várias para membros da família. Eu disse para ele gastar o dinheiro se divertindo e relaxando na Europa.”

(Marcello Campos)

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