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Brasil A bactéria que causou a morte do neto de Lula é comum. De 20% a 30% da população humana carrega a Staphylococcus aureus de forma perene

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Os estafilococos têm um grande “poder de invasão”, disse a médica Ana Escobar, e por isso a infecção pode se desenvolver rapidamente. (Foto: Instituto de Saúde dos EUA)

O contato com a bactéria Staphylococcus aureus é mais comum do que muitas pessoas imaginam. Embora em casos extremos possa levar a uma infecção generalizada, ou “sepse” – como ocorreu com o menino Arthur, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – o micro-organismo é um dos mais presentes na pele humana e na maioria das vezes causa problemas simples, tratáveis com antibióticos.

O que são os estafilococos?

Os estafilococos são um tipo de bactéria. A espécie mais frequente é justamente o Staphylococcus aureus, mas existem dezenas de outras. Os estafilococos estão presentes na superfície de pele de cerca de 20% das pessoas, e no nariz de 30% dos adultos, o que é considerado normal.

De acordo com o doutor Juvêncio Furtado, médico infectologista, existem os estafilococos chamados “domiciliares” ou “comunitários”, normalmente sensíveis a antibióticos e que causam infecções menos graves. Mas há também os “hospitalares”, que são bem mais resistentes. “O que está na nossa pele geralmente não causam doenças, exceto em pessoas que tenham a imunidade muito comprometida”, explica. Já pessoas que passam mais de 72 horas em ambientes hospitalares podem ser colonizadas por estafilococos mais resistentes.

Alguns resistem, inclusive, ao antibiótico meticilina e são conhecidos pela sigla SARM. “A mesma bactéria, em ambientes diferentes, podem adquirir características de resistência maior”, disse Furtado. Essas bactérias podem ser perigosas quando caem na corrente sanguínea, porém são raros os casos em que os estafilococos comuns causem infecções graves.

De acordo com a doutora Ana Escobar, médica pediatra, isso pode ocorrer principalmente por meio de lesões na pele. “Quando a pele está íntegra, a bactéria não faz nada. Mas se houver um corte, ela pode penetrar”, explicou Ana. Além de infecções na própria pele, os estafilococos podem atacar também outros órgãos distantes.

“Depende um pouco do sistema imunológico de cada pessoa. O nosso sistema geralmente é muito eficaz”, disse a médica. Em alguns casos, menos comuns, o micro-organismo também pode ser ingerido pela boca, em alimentos contaminados, e se espalhar pelo corpo no trato gastrointestinal. Também nos chamados “traumas fechados”, possivelmente provocados por quedas, pancadas ou outros acidentes comuns entre crianças, a bactéria pode se alastrar internamente, sem dar sinais visíveis.

Quais são os sintomas de infecção?

Os estafilococos têm um grande “poder de invasão”, disse Ana, e por isso a infecção pode se desenvolver rapidamente. Para impedir uma contaminação mais agressiva, é preciso estar atento aos sintomas de infecção. São sinais de que um processo infeccioso pode ter começado: febre; mal-estar; dores no corpo; cansaço excessivo; vômitos.

Quando houver esses sintomas, um médico deve ser procurado. O diagnóstico ainda nas primeiras 24 horas é decisivo, inclusive para uma eventual confirmação da presença do Staphylococcus aureus. Isso porque ela age rápido no corpo. “Normalmente, demora um dia ou dois para a coisa evoluir”, explicou a médica. As infecções estafilocócicas estão entre as que evoluem mais rapidamente – assim como aquelas provocadas por outro tipo de bactéria, os meningococos, o que levou os médicos do menino Arthur a diagnosticarem uma meningite.

Como evitar?

Segundo a médica Ana Escobar, a melhor forma de evitar infecções bacterianas por estafilococos é lavar com água e sabão as mãos e o local lesionado por um corte, pequeno acidente, espinhas, etc. “Se saiu sangue, é preciso lavar com água e sabão, sempre o melhor desinfetante, e ficar de olho se começar a aparecer algum sinal de infecção”, ensinou.

tags: Saúde

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