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Brasil A busca por informações sobre os testes rápidos para coronavírus dispara na internet

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A pesquisa pela expressão "Teste covid farmácia", por exemplo, cresceu 850% na última semana. (Foto: Cesar Brustolin/SMCS)

Com a escassez de exames na rede pública para confirmação do novo coronavírus e o recente anúncio da venda de testes de Covid-19 em farmácias, a busca por informações sobre os testes rápidos disparou nas pesquisas mais frequentes na internet, segundo dados do Google Trends, que monitora as tendências mais procuradas no Google.

A pesquisa pela expressão “Teste covid farmácia”, por exemplo, cresceu 850% nos últimos sete dias no buscador. Já o interesse por “valor do teste rápido para covid” subiu 400% em uma semana. A pergunta “como é feito o teste rápido do coronavírus”, por sua vez, saltou 780% nas últimas 48 horas. E “onde posso fazer o teste da covid-19?” subiu 660% nas buscas do Google.

Além disso, de acordo com o Google Trends, a busca por “mortes por coronavírus Brasil” praticamente dobrou de terça-feira (28) para quarta (29). O interesse pelo tema, afirma a empresa, saltou 80% em 24 horas depois que o Brasil registrou recorde de mortos pela doença em um único dia.

Perguntas gerais sobre a pandemia que desafia cientistas e médicos continuam no topo das buscas. A pesquisa por “como é a falta de ar da Covid-19?”, por exemplo, saltou 900% nos últimos sete dias no Google. Já “qual o primeiro sintoma da covid?” subiu 300%.

Entre as questões que mais cresceram sobre coronavírus na última semana com a expressão “como é”, estão “como é transmitido o coronavírus”, com alta de 560%, e “como é o resultado da covid-19”, com 220% de aumento de buscas.

Além disso, a divulgação de aumento de casos e as projeções sobre a curva da epidemia no Brasil se refletiram na alta de interesse dos internautas. A questão “como é o pico do coronavírus” subiu 220% nas buscas nos últimos sete dias.

Testes confundem

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta semana uma proposta que autoriza a aplicação de testes rápidos em farmácias e drogarias para detectar infecção pelo novo coronavírus.

O problema é que esses estabelecimentos não estão capacitadas para realizar esses exames. E, pior: esses testes podem ter alta porcentagem de falso negativo, o que coloca toda a população em risco.

Os exames sorológicos para o novo coronavírus com resultado instantâneo já estavam sendo vendidos mesmo sem regulamentação em farmácias no Rio, Paraná, Minas Gerais e Ceará por valores que chegam a R$ 500. Justamente por isso, a Anvisa se posicionou — equivocadamente.

Em primeiro lugar, um farmacêutico ou técnico de laboratório que aplica testes para o novo coronavírus precisaria estar treinado para informar o resultado ao paciente e às secretarias de saúde. Vender teste para uma infecção grave é muito diferente de detecção de gravidez ou de teor de glicose no sangue.

Indo além, o profissional que testa um possível paciente acometido por Covid-19 precisa fazer uso obrigatório de EPI (Equipamento de Proteção Individual), que está em falta para profissionais de saúde no Brasil todo.

E mais: um teste com resultado equivocado pode se transformar em um passaporte para o fim da quarentena de uma pessoa que pode estar infectada, além de embasar políticas públicas sem sustentação.

Hoje, o teste mais preciso para Covid-19 é o molecular (ou PCR em tempo real), que detecta o material genético do vírus. Isso quer dizer que ele já é positivo desde o momento em que a pessoa é infectada (mesmo que assintomática).

Foi com este teste que a Coreia do Sul e a Alemanha conseguiram acompanhar a taxa de transmissão do vírus. Esse teste é caro e está em falta no Brasil — a prioridade é para pessoas com sintomas e profissionais de saúde. Em São Paulo e no Paraná, no entanto, laboratórios privados têm oferecido teste pago de PCR com coleta em casa.

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