Terça-feira, 14 de Julho de 2020

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Brasil A China não é ameaça ao Brasil, e sim parceiro estratégico, diz o vice-presidente Hamilton Mourão

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Por isso, segundo o general, o governo do presidente Jair Bolsonaro não vai vetar investimentos da empresa chinesa de telecomunicações Huawei. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O Brasil não encara a China como uma ameaça estratégica e considera que o país é um parceiro importante, diz o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). Por isso, segundo o general, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não vai vetar investimentos da empresa chinesa de telecomunicações Huawei, a despeito das pressões dos Estados Unidos para isso.

Mourão está em Boston para participar da Brazil Conference, evento organizada pela Universidade Harvard e pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology). Tanto Bolsonaro quanto seu ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já fizeram críticas ao regime de Pequim e defendem uma aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – que trava atualmente uma guerra comercial contra os chineses.

Os EUA vêm pedindo que o Brasil e outros países bloqueiem investimentos da Huawei, porque ela representaria uma ameaça à segurança nacional e seria usada para espionagem para o governo chinês. “Nós não temos essa visão por enquanto. A segurança é o argumento da guerra comercial (entre EUA e China)”, disse. O vice-presidente também comemorou a iniciativa de Bolsonaro de se reunir com representantes do que o presidente chama de “velha política” para negociar a reforma da previdência. “Acho fundamental que (Bolsonaro) lidere esse jogo”, disse. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

O governo encara a China como uma ameaça estratégica?

“Não, a China não é uma ameaça estratégica para o Brasil, é um parceiro estratégico para o Brasil. A China importa 32%, 33% do que exportamos. É um parceiro comercial forte, e tem uma capacidade de investimento grande que temos que utilizar melhor. Nós temos é que melhorar o que a gente está mandando para a China, mandar mais coisa com valor agregado. A China está voltando a ser o principal motor econômico do mundo”.

Que tipo de investimentos chineses o governo quer ter no Brasil?

“Infraestrutura. É benefício mútuo: a China quer os nossos produtos, nós precisamos de ferrovias, portos, e rodovias que facilitem o transporte desses produtos em melhores condições. Essa é a grande troca que nós temos que fazer com eles”.

O governo americano vem pressionando diversos países, quer que vetem investimentos da gigante chinesa de telecomunicações Huawei. A Austrália já cedeu. O assunto tem sido abordado com o governo brasileiro. O Brasil tem alguma restrição aos investimentos da Huawei?

“Por enquanto, não, não há restrição nenhuma. Isso é a disputa do 5G, o avanço tecnológico da China. Eles ultrapassaram o que estamos vivendo aqui [nos EUA]; lá você nem usa mais dinheiro, só usa o celular”.

Mas os EUA argumentam que se trata de um problema de segurança nacional, que a Huawei poderia extrair informações estratégicas dos países e passar para o governo chinês

“Nós não temos essa visão por enquanto. A segurança é o argumento da guerra comercial”.

E a gente nessa guerra comercial tem lado?

“Tem, o nosso lado”.

Existe uma insatisfação do setor produtivo, principalmente do agronegócio, com o que eles veem como uma sinofobia em alguns ministérios, principalmente Itamaraty.

“O pessoal do agro tem toda a capacidade produtiva voltada não só para atender o mercado chinês, mas também o árabe, e o pessoal fica angustiado com qualquer sacudida. Mas ontem ou anteontem o próprio chanceler, o Ernesto [Araújo], no Senado, deixou clara a nossa parceria estratégica com a China. Não há como fugir disso, é nosso maior cliente e a China vai ultrapassar todo mundo, em alguns anos mais de metade do PIB [Produto Interno Bruto] mundial será da China”.

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