Terça-feira, 02 de Junho de 2020

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Brasil O Brasil não deve se meter com imigrante ilegal nos Estados Unidos, diz o vice-presidente Hamilton Mourão

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O vice-presidente disse que as pessoas saem do Brasil porque "oportunidades não se apresentam". (Foto: Agência Brasil)

Em visita aos Estados Unidos, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou no sábado (06) que o governo brasileiro não deve se meter na situação de imigrantes ilegais naquele país. Segundo o general, que se reuniu com brasileiros que estão nos EUA legalmente, as pessoas saem do país porque “oportunidades não se apresentam”, mas a competência de legalizá-las ou não é das autoridades americanas.

Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho mais novo, Eduardo, Mourão evitou criticar os imigrantes brasileiros, a quem classificou como “pessoas batalhadoras”. “Se está ilegal, a pessoa não está respeitando a lei, mas está aqui buscando obter alguma legalização e isso compete ao governo americano. O governo brasileiro não tem que se meter nisso”, afirmou o vice a jornalistas em Boston após participar de uma série de reuniões durante conferência sobre o Brasil em Harvard.

Durante sua visita a Washington, em março, Bolsonaro afirmou à emissora de TV americana Fox News que “a maioria dos imigrantes não tem boas intenções”, mas em seguida recuou, afirmando que sua fala havia sido um erro. Dias antes, Eduardo afirmara que imigrantes brasileiros eram “uma vergonha nossa”. Questionado sobre o teor das declarações do presidente sobre o tema, Mourão afirmou que não comentaria. “Não é ético comentar o que meu comandante declarou”.

Mourão foi também perguntado se apoiava ou não a construção de um muro na fronteira entre EUA e México, principal promessa de campanha do presidente americano, Donald Trump. O vice foi informado pelos repórteres de que Bolsonaro havia dito que via “com bons olhos” a construção da barreira quando passou por Washington, no mês passado. “Ele falou isso mesmo?”, perguntou Mourão. Diante da confirmação dos jornalistas, afirmou: “Se o presidente apoia, eu também apoio”.

O esforço do vice em se mostrar alinhado ao presidente se dá no momento em que diversos aliados de Bolsonaro têm se incomodado com a postura de Mourão, muitas vezes antagônica à do governo. Durante sua visita a Boston, o vice afirmou mais de uma vez que seu papel era complementar ao do presidente e que estava ali autorizado por Bolsonaro.

O roteiro de Mourão nos EUA – inclusive a reunião com imigrantes – incomodou auxiliares de Bolsonaro, que avaliam os compromissos como reforço da tese de que o vice está tentando se firmar como figura plural e dissonante do presidente.

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