Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 6 de fevereiro de 2021
A corrida global por uma vacina contra o coronavírus foi provavelmente uma das mais decisivas e frenéticas de nosso tempo. Em menos de um ano, companhias farmacêuticas, governos, centros de pesquisa e empresas afins de todo o mundo se uniram e materializaram imunizantes capazes de conter as infecções e mortes e tirar o mundo do isolamento.
Mas agora que as autoridades sanitárias de muitos países estão se esforçando para administrar o maior número possível de doses, surgem alertas de que a forma com que as vacinas estão sendo distribuídas representa outro grave perigo para a saúde pública mundial, como apontou um estudo da Universidade Duke, nos Estados Unidos, que se tornou referência no assunto.
Isso porque os países mais ricos já compraram a maior quantidade de vacinas que serão produzidas neste ano, enquanto os mais pobres não terão doses para aplicar nem em suas populações mais vulneráveis. Estima-se que cerca de 90% das pessoas em quase 70 países de baixa renda terão poucas chances de serem vacinadas em 2021.
Especialistas temem que, se tudo continuar como está, o vírus pode continuar a sofrer mutações, tornar as vacinas atuais menos eficazes e produzir consequências econômicas, políticas e morais devastadoras, como alerta Andrea Taylor, diretora de pesquisas no Centro de Inovação em Saúde Global da Duke, que monitora a distribuição de vacinas em todo o mundo.
O projeto, denominado Launch and Scale Speedometer, analisa dados globais sobre vacinas e terapias para combater a pandemia e seus resultados servem de alerta para políticos, acadêmicos e especialistas em saúde pública.
“Descobrimos que os países ricos compraram a maior parte das vacinas contra a Covid-19, enquanto os mais pobres lutam para obter vacinas suficientes para cobrir até mesmo suas populações mais vulneráveis. Identificamos essas lacunas pela primeira vez em outubro de 2020 e ela ainda permanece, o que é muito preocupante”, afirma Andrea.
De acordo com a diretora do centro de inovação, os países ricos alavancaram seu poder de compra e investimentos no desenvolvimento de vacinas para conseguir um assento na primeira fila, e depois compraram a maioria das vacinas antes dos outros países. Os países de alta renda têm 16% da população mundial, mas atualmente respondem por 60% das doses de vacina que foram vendidas.
“Como a capacidade de manufatura global é limitada, isso deixa menos doses disponíveis para todos os outros, pelo menos no curto prazo”, ressalta Andrea.
Para a pesquisadora, a distribuição desigual de vacinas é perigosa para todos. Os resultados podem ser catastróficos tanto para a saúde quanto na economia. Isso causará muito mais mortes em todo o mundo, especialmente entre nossos vizinhos mais vulneráveis. Mas também significa que o vírus continuará a se espalhar e sofrer mutações, aumentando o risco de que nossas vacinas não combatam efetivamente as novas cepas. Se os países ricos vacinarem suas populações, enquanto permitem que o vírus se espalhe para outros lugares, eles podem descobrir que não estão protegidos das cepas que surgirem”, complementa.
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