Domingo, 29 de Março de 2020

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Brasil A epidemia do coronavírus que eclodiu na China já prejudica a entrega de peças para indústrias brasileiras

Fábricas de eletroeletrônicos já temem risco de desabastecimento. (Foto: EBC)

A epidemia de coronavírus que eclodiu na China, que nas últimas semanas vem abalando os mercados financeiros, disparou um sinal de alerta entre indústrias brasileiras, especialmente de eletroeletrônicos. Motivo: a dependência de peças, componentes e outros itens importados do gigante asiático, grande exportador mundial desse tipo de artigo.

A Multilaser, empresa que fabrica eletrônicos em Extrema (MG), já projeta uma redução de 17% no abastecimento de peças e componentes importados por conta da parada de quase um mês nas fábricas chinesas. “Essa é a perda esperada até agora por causa do que já aconteceu”, lamenta Alexandre Ostrowiecki, presidente executivo. “O quadro pode se agravar se a produção chinesa não for retomada rapidamente.”

A companhia produz cerca de 3,5 mil itens, incluindo telefones celulares, tablets, teclados e mouses. Atualmente, 80% de seus fornecedores que estão no país asiático não retomaram as atividades. A fabricante brasileira tem cerca de 450 fornecedores na região, que atendem a diversas marcas e empregam 500 mil operários.

“A Multilaser está totalmente inserida no olho do furacão do coronavírus”, prossegue Ostrowiecki, ressalvando que a companhia funciona com estoque de seis meses e que a chegada de produtos nas lojas só deve começar a ser impactada a partir de abril. “A gravidade desse fato dependerá de como a doença vai se desenvolver”.

Não há estimativa para normalização das atividades na China. A marca tem operação própria com 70 funcionários da área de engenharia de teste no país, que está operando em ritmo mais lento.

Férias coletivas

O Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna (SP) já recebeu um aviso de férias coletivas para os funcionários da Flextronics, responsável pela produção de celulares da Motorola. Segundo a entidade, a paralisação deve afetar 80% da fábrica. A empresa confirmou que cerca de 1,5 mil funcionários estão de férias na unidade até a próxima quarta-feira (26).

Segundo a empresa, a parada ocorreu por causa da crise de saúde que acomete a China e que afetou o suprimento de insumos importados do país para a fabricação de seus produtos no Brasil. As instalações da companhia em Sorocaba (SP), no entanto, têm funcionado normalmente e sem previsão de pausa, garante a empresa.

“Mas basta não ter um componente para a linha ser interrompida”, salienta José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos. Em televisores, por exemplo, os componentes importados da China representam 60% das peças do equipamento. Em outras linhas, como eletroportáteis, essa fatia varia entre 30% e 50%, dependendo do produto.

Preocupados com a falta de insumos, fabricantes se reuniram na Eletros na semana passada. Os executivos não revelaram o nível dos estoques de insumos em suas fábricas porque se trata de uma informação estratégica. Mas o presidente da Eletros afirmou que os volumes de componentes de maior valor, como semicondutores – que vêm de avião – eram na última quinta-feira suficientes para dar conta do abastecimento de, no máximo, dez dias de produção – o normal é 15 dias.

De acordo com fontes ligadas ao mercado, o risco de falta de insumos é maior para os fabricantes de celulares e itens de informática que trabalham com estoques mais curtos de componentes. Mas também é uma ameaça para a indústria automobilística, que usa muita eletrônica embarcada.

Diante desse risco, o presidente da Eletros alerta que a indústria tem poucas alternativas para manter o ritmo de produção porque é muito difícil mudar de fornecedor de uma hora para outra. Os componentes precisam atender um padrão de qualidade.

“Se a situação não se normalizar rapidamente, pode começar a faltar insumos para a produção de eletrônicos para o Dia das Mães”, projeta Nascimento. Essa data é tão importante para as vendas do varejo que é conhecida como o “Natal do primeiro semestre”. E os produtos começam a ser fabricados no mês que vem.

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