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Política Perto do colapso, a Espanha muda a sua estratégia de combate ao coronavírus após a superlotação de UTIs

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Em seu balanço diário, o Ministério da Saúde informou um total de 20.043 mortes até o momento no país. (Foto: Reprodução/Twitter)

Com um salto de 20% no número de contágios, ou quase cinco mil novos doentes, e mais de 300 mortos só nas últimas 24 horas, a Espanha parece viver uma aceleração na sua curva de expansão do Covid-19. No fim da tarde deste sábado, eram 24.926 as pessoas doentes — mais de 13 mil internadas — e 1.612 casos graves em UTIs. O número de mortos alcançou 1.350.

O governo admite que a cifra real de infectados é “muito maior”, e alguns analistas chegam a falar em até dez vezes mais. Diferentemente de países que tiveram maior sucesso no controle da pandemia, como Alemanha, Coreia do Sul e Japão, a Espanha havia adotado a estratégia de testar quase que exclusivamente quem recorria aos hospitais. O colapso de cada vez mais unidades obrigou o governo a mudar rapidamente de abordagem.

Testagem maciça

As UTIs da comunidade (estado) de Madri, zona mais afetada, com 60% das internações e das mortes e mais da metade do total de casos, vivem uma situação dramática. Normalmente, o sistema nacional de saúde oferece 641 leitos de cuidados intensivos na região. Todos — e mais 37 leitos improvisados — estão ocupados por pacientes com coronavírus. Nos últimos dias, a instalação de camas extras nas UTIs e a adaptação de centros cirúrgicos desocupados e clínicas privadas para unidades intensivas parecia trazer um certo respiro. Mas a progressão geométrica dos contágios faz prever um novo colapso nos próximos dias.

Um levantamento do jornal “El País” mostrou que, entre os principais centros de referência para o atendimento de infectados na capital espanhola, há superlotação de até 141% em algumas UTIs. É o caso do Hospital Clínico San Carlos, que atende a 41 casos graves, mas só tem capacidade para 17.

Com o cenário, o governo prevê agora a testagem maciça de pessoas. Um lote de 640 mil testes rápidos foi comprado, sem, no entanto, uma previsão concreta de chegada. A lógica é poder isolar o mais cedo possível os casos suspeitos — o que não vem sendo feito por conta da subnotificação — e evitar que idosos e outros grupos de risco (como pessoas com doenças preexistentes) continuem a ser expostos ao patógeno. A comissão do Ministério da Saúde encarregada de combater a epidemia afirmou, na tarde deste sábado, que mais de 50% dos mortos tinham 70 anos ou mais.

Hotéis viram hospitais

Se faltam camas para tratamento intensivo, o decreto do último dia 13 que instaurou o estado de emergência foi capaz de acelerar a expansão de leitos comuns. Parte do maior centro de exposições da Espanha, a Feria de Madri, foi transformada num grande alojamento para isolar casos suspeitos de menor gravidade. Clínicas privadas e até hotéis também tiveram que ceder seus espaços e se transformar em hospitais. E, em localidades como Igualada, epicentro do epidemia na Catalunha, com 24 mortos e cem médicos e enfermeiros contaminados, foram levantados hospitais de campanha em poucos dias.

O governo convocou nos últimos dois dias mais de 50 mil profissionais de saúde, entre residentes, estudantes do último ano e aposentados. Outros profissionais sanitários se voluntariaram. É o caso do clínico-geral aposentado Carlos Martín, de 67 anos. Na sexta-feira, ele ligou para o hospital onde trabalhava, em Madri, e anunciou que se apresentaria para ajudar.

— Estou no chamado grupo de risco. Mas não posso ficar de braços cruzados enquanto meus companheiros se acabam em turnos sem fim, atendendo a cada vez mais pessoas. Vou redobrar o cuidado mas não posso me omitir agora — afirmou. — Não sei quanto tempo precisarei trabalhar nem como será a progressão disso. Acho que ninguém sabe ao certo.

A própria coordenadora de emergências sanitárias do Ministério da Saúde, María José Sierra, corrobora o que ele diz. Neste sábado, ela informou o salto de mais de 20% no total de contaminados oficiais em 24 horas e supõe uma aceleração em relação aos dias anteriores.

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