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Economia A exportação da indústria brasileira para os EUA até cresceu entre agosto e dezembro do ano passado, 4,31%, mas só por conta do desempenho das vendas de cordas de sisal, que são usados na agropecuária e não foram sobretaxados

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As exportações totais, para todos os países, tiveram aumento de 8%. (Foto: )

Uma das apostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mitigar os efeitos para as empresas brasileiras das ameaças de novo tarifaço por parte dos Estados Unidos é redirecionar os produtos para outros países. Essa estratégia, porém, tem efeitos limitados em alguns setores, como máquinas e equipamentos, têxteis e pescados. Diferentemente de commodities, a demanda por esses itens tem variações relativas a especificações do comprador ou preferências culturais. Além disso, o mercado americano costuma absorver produtos de maior valor agregado.

A conclusão de duas investigações do Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR) na sigla em inglês recomendaram a adoção de tarifas de importação adicionais para produtos comprados do Brasil.

A primeira, vinculada a um processo específico contra práticas “desleais” brasileiras que prejudicam o comércio dos EUA, sugere a aplicação de uma taxa de 25%. De acordo com Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), essa cobrança deve afetar 21% da pauta exportadora para os EUA.

A segunda, relacionada a uma investigação contra 60 países sobre falhas na proibição de importação de produtos fabricados com trabalho forçado, atinge o Brasil com uma tarifa de 12,5%. Ambas têm exceções, como petróleo, aeronaves, carnes, café e algumas frutas, e estão sujeitas à consulta pública.

Se confirmadas, devem começar a valer em julho. No mesmo mês, deve terminar o prazo de uma tarifa global de 10% adotada pelo governo de Donald Trump em fevereiro, após a Suprema Corte americana derrubar a taxação aplicada no ano passado com base em uma lei de emergência nacional, que, no caso do Brasil, impunha uma cobrança de 50%.

Lula afirmou que quer negociar com o governo de Donald Trump, como vem fazendo desde o ano passado, quando foram anunciadas as primeiras tarifas. Os setores empresariais também vão participar do processo, subsidiando o governo federal e argumentando junto às investigações americanas. Mas o presidente disse que, se os EUA não quiserem comprar os produtos brasileiros, “não vai ficar chorando”.

— Nós não vamos ficar chorando. Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele (os EUA) não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro — afirmou na abertura da reunião ministerial nesta semana.

O economista João Carmo, da 4Intelligence, reconhece que o tarifaço do ano passado deixou claro que o Brasil tem grande capacidade de redirecionar exportações, mas afirma que, para alguns setores mais dependentes do mercado americano, como de máquinas e equipamentos, agroindústria e têxtil, o impacto das novas taxas deve ser maior.

O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, chama atenção que, mesmo dentro de um mesmo setor, os impactos são diferentes e o resultado macro às vezes esconde prejuízos significativos para determinados segmentos.

A exportação da indústria para os EUA até cresceu entre agosto e dezembro do ano passado, 4,31%, mas apenas por conta do desempenho das vendas de cordas de sisal, que são usados na agropecuária dos EUA e não foram sobretaxados. A queda em moda/confecções foi de 18,34%, de filamentos, de 83,64%, de fibras têxteis, de 67,3% e de tecidos, de 23,74%.

As exportações totais, para todos os países, tiveram aumento de 8%. Mas Pimentel explica que tem empresas menores que são altamente dependentes da receita dos EUA, especialmente as do setor de confecções, já que o Brasil é bastante conhecido em alguns mercados de nicho, como moda praia. Segundo ele, cerca de ⅓ das vendas externas do segmento de moda do país vai para os EUA.

— As empresas buscaram outros mercados, Europa, América do Sul, mercado interno, então as exportações do ano passado ficaram mais ou menos equilibradas. Mas quando falamos do macro, esquecemos do micro, que são pequenas empresas, que atuam nesse mercado de nicho e tem 30% a 40% da sua receita advinda dos EUA. Com informações do portal O Globo.

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