Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de abril de 2018
David Neeleman nasceu e viveu em São Paulo até os 7 anos de idade, mas fala português com um sotaque tão forte que parece americano.
Dono de uma fortuna de 3,8 bilhões de dólares, acionista de seis companhias aéreas nos Estados Unidos, na França, em Portugal e no Canadá e no Brasil – onde fundou a Azul – e missionário mórmon, com sete filhas e dois filhos, ele agora sugere um sotaque parecido para a política e a economia brasileiras.
Em entrevista à BBC Brasil nos corredores da Universidade de Harvard, nos EUA, Neeleman, que tem dupla cidadania americana e brasileira e mora com a família nos EUA, defendeu um Estado mínimo, com faculdades públicas pagas e investimento prioritário em segurança.
Diz que o governo brasileiro gasta muito e que os brasileiros esperam demais dos políticos – enquanto os americanos esperam apenas que eles “não atrapalhem”.
Suas teses funcionam como janela para o que defendem alguns dos membros da minúscula fatia ocupada por bilionários na sociedade brasileira (exatos 36 homens e seis mulheres): cortes no funcionalismo público, redução de impostos para empresários, renovação nos partidos e estímulos fiscais para investidores. “O dinheiro (público) tem que ser cuidado, é dinheiro sagrado, do povo.”
Ativo no Instagram, onde publica imagens esquiando em Utah ou se exercitando em frente a um laptop com a filha (coleciona 18 mil seguidores, muitos vindos de sorteios de passagens grátis), ele dividiu mesa sobre “Competitividade, gestão e tecnologia” com outros super-ricos que compartilham de suas visões na Brazil Conference, realizada no último fim de semana por iniciativa de alunos de Harvard e do MIT.
O principal patrocinador do evento é o empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann, 29º homem mais rico do planeta, segundo a revista Forbes, com patrimônio estimado em 27,4 bilhões de dólares.
Na conversa, Neeleman se esquivou de apontar um favorito para as eleições de 2018, mas diz que PT, PMDB e PSDB são corruptos e que o País precisa de um presidente “patriota”.
“A forma de governo do lado da esquerda, os esquerdistas, os comunistas, nós já vimos que não funciona”, afirma, defendendo alguém “mais para o meio até um pouco para a direita”.
“Com Lula preso ou não, precisamos de sangue novo”, acredita.
1) O que espera do próximo presidente?
As pessoas no Brasil pedem e esperam muito dos prefeitos. Aqui nos Estados Unidos, o bom prefeito é o que não atrapalha. Isso vale para políticos de maneira ampla. No Brasil, os impostos são altos, o tamanho do governo é enorme. Se fosse presidente, eu olharia para todas as despesas com pessoas que o governo emprega para ver se são necessárias.
2) O que poderia ser enxugado?
O tamanho do governo em comparação ao PIB é altíssimo, em comparação aos Estados Unidos ou à Europa. Claro que tem que ter um social, tem que cuidar das pessoas. Tem que ter Bolsa Família e coisas assim.
3) Saúde e educação: o senhor também defende um modelo mais próximo dos EUA?
No Brasil, ninguém devolve o dinheiro para a universidade. Por que não? Porque o governo paga tudo. Uma vez dei uma palestra na Unicamp e perguntei quantos naquela sala de 400 pessoas tinham estudado em escolas públicas para estar lá. Uma pessoa só. Todas vieram de (escolas) privadas, depois o governo pagou a universidade. Então, as pessoas mais ricas recebem de graça.
Claro, tem que ter bolsa para alguém que é pobre, da favela, e consegue chegar na Unicamp. Muito bom. Mas, se os pais estão pagando por escola particular até chegar lá, tem que pagar, cara, o que tiver que pagar. Mas tem que ter para todo mundo e agora temos tecnologia e muitas coisas que se pode fazer. E temos que ter melhores professores – não vai ter professores melhores se não pagar mais.
4) Vê entre os pré-candidatos algum que carregue as bandeiras que defende?
Têm vários. Eu só quero alguém que não seja corrupto, um patriota que quer ajudar o Brasil a ser melhor.
5) Qual dos candidatos não é corrupto?
Tem muitos.
6) Por exemplo?
Tem bastante. A forma de governo do lado da esquerda, os esquerdistas, os comunistas, nós já vimos que não funciona. Então, o mais para o meio, até um pouco para a direita, é melhor para a economia. Porque os outros, não funcionam.
Querer cobrar impostos e dar mais para as pessoas não funciona. Isso acaba com o governo, como acabou com todos os outros. Então, prefiro um governo que realmente seja menor e com um ambiente bom para os negócios. O Brasil tem tudo para crescer, o governo só tem que sair da frente.
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