Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

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Geral A gasolina tem o maior impacto na inflação em janeiro

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Alta chega a 35,5% no ano, diz ANP. (Foto: Agência Brasil)

A inflação subiu 0,25% em janeiro e perdeu fôlego em relação ao mês de dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira. O recuo é resultado da adoção da bandeira amarela na tarifa de energia elétrica e menor pressão dos alimentos, aliviando o aumento dos combustíveis que puxou a alta do índice. A gasolina respondeu por quase metade da inflação em janeiro, com 0,11 ponto percentual da alta de 0,25% no índice.

“Em vez do acréscimo de R$ 6,243 por cada 100 quilowatts-hora, o consumidor passou a pagar um adicional bem menor, de R$ 1,343, o que resultou em uma deflação de -1,07% no grupo Habitação, do qual esse item faz parte”. explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Segundo o economista para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, as quedas no preço das passagens aéreas, eletricidade, mensalidades escolares e vestuário ajudaram a segurar a inflação em janeiro. “Isso foi parcialmente mitigado pelos resultados de combustíveis e alimentos consumidos fora de casa (que cresceu 0,91% ante 0,77% em dezembro)”, avaliou em relatório divulgado nesta terça-feira.

Gasolina tem oitava alta

Os combustíveis pesaram no bolso do brasileiro neste início de ano. O preço da gasolina subiu 2,17%. O óleo diesel, por sua vez, avançou 2,60%. Os combustíveis são os principais responsáveis pela inflação em janeiro, ao lado do gás de botijão (3,19%), que também subiu pela oitava vez consecutiva e puxaram a alta do IPCA no mês.

Em dezembro, o IPCA acelerou para 1,35%, a maior alta para um mês de dezembro desde 2002, quando chegou a 2,10%. Em 12 meses, o IPCA registra aumento de 4,56%. Com o resultado, a inflação está acima do centro da meta de inflação do governo para este ano, que é de 3,75%.

O resultado veio abaixo da expectativa do mercado. Expectativa dos analistas ouvidos pela Reuters era que a inflação subisse 0,31% no mês. De acordo com o último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, a previsão do mercado para o IPCA deste ano subiu de 3,53% para 3,60%.

Cebola e tomate mais caros

O grupo de alimentos e bebidas continua impactando o resultado. Dentro do segmento, em janeiro, os legumes, as frutas e as hortaliças foram os que mais pressionaram o índice. A cebola e o tomate, que haviam recuado no mês anterior, subiram respectivamente 17,58% e 4,89%.

Por outro lado, outros alimentos para consumo no domicílio desaceleraram em janeiro. Houve queda nos preços do leite longa vida (-1,35%), carnes (-0,08%) e óleo de soja (-1,08%), que acumulou alta de 94% em 2020.

Segundo Kislanov, os preços dos alimentos foram em parte impulsionados pelo auxílio emergencial ao longo do ano passado e pressionados pela diminuição da oferta no mercado doméstico. O recuo nos preços das carnes, portanto, pode estar associada ao fim do benefício, encerrado em dezembro.

Inflação dos mais pobres

O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação entre as famílias com menor rendimento. Ele também desacelerou apresentando alta de 0,27% em janeiro, enquanto em dezembro havia registrado 1,46%.

O resultado tem relação com a menor pressão dos alimentos, que costumam puxar o índice por ter mais peso para as famílias de menor renda. Os produtos alimentícios subiram 1,01% em janeiro enquanto, no mês anterior, registraram 1,86%. Já os não alimentícios apresentaram alta de 0,03%, após alta de 1,33% em dezembro.

O INPC é calculado com base em famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos. As informações são do jornal O Globo.

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