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Brasil A indústria brasileira de carnes vive um momento caótico por causa da greve dos caminhoneiros. Setor prevê que a situação poderá levar dois meses para voltar ao normal

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Trata-se de uma ameaça silenciosa – e crescente – tanto para os rebanhos quanto para a saúde de quem consome carne, leite e derivados. (Foto: Agência Brasil)

A situação da indústria de proteína animal por causa da greve dos caminhoneiros é caótica e a normalização do setor deve levar até dois meses após o término do movimento grevista, que já dura uma semana. Quem alerta é a direção da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que representa 150 empresas e quase 100% do setor de aves e de suínos do Brasil.

Neste domingo, o setor registrava 167 plantas frigoríficas de aves e suínos paradas, com atividades suspensas para mais de 234 mil trabalhadores. Mais de 60 milhões de aves (pintos e adultas) já morreram e um número maior deverá ser sacrificado, de acordo com as normas sanitárias vigentes no Brasil, em conformidade à OIE (Organização Mundial de Saúde Animal).

“Diante desse quadro de calamidade no setor, apelamos para a sensibilidade das lideranças do movimento grevista dos caminhoneiros, da Polícia Federal, das polícias estaduais e municipais pela liberação da passagem dos caminhões carregados com ração, cargas vivas, carnes e outros alimentos em caminhões frigoríficos”, frisou a entidade em um documento intitulado “Carta Aberta ao Povo Brasileiro”, divulgado em seu site e protocolada no Palácio do Planalto.

Descontentes com o preço do diesel, os caminhoneiros entraram em greve nacional na segunda-feira da semana passada, bloqueando estradas e gerando desabastecimento de combustíveis e de outros produtos em todo o território brasileiro.

“O desabastecimento de alimentos para o consumidor também já é um fato concreto, uma vez que milhares de toneladas de carnes e outros produtos deixaram de ser transportados para os centros de distribuição desde o dia 21 de maio”, acrescentou a associação. “Após o final da greve, a regularização do abastecimento de alimentos para a população poderá levar até dois meses!”

Prejuízo às exportações

Além dos problemas de desabastecimento no mercado doméstico, representantes da indústria de proteína animal salientam que aproximadamente 100 mil toneladas de carne de aves e de suínos deixaram de ser exportadas em uma semana de paralisação. “O impacto na balança comercial já é estimado em 350 milhões de dólares”, calcula a ABPA.

A Associação destaca, ainda, que a mortandade de animais cria uma grave barreira para a recuperação da produção do setor ao longo das próximas semanas e meses. Esse contexto traz, ainda, o risco potencial de alta dos preços dos produtos:

“Os reflexos sociais, ambientais e econômicos [da greve] são incalculáveis (…). Uma intervenção rápida do governo brasileiro é urgente para evitar a continuidade da mortandade de milhões de animais, o desabastecimento da população brasileira, problemas de saúde pública, danos ao meio ambiente e o possível fechamento de agroindústrias e cooperativas, que empregam centenas de milhares de trabalhadores e movimentam a economia nacional e o comércio internacional do País”.

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