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Mundo A inflação na Venezuela foi de quase 3000% em 2020, segundo o próprio Banco Central do País

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O argumento foi classificado por parte da oposição venezuelana como "propaganda para o regime". (Foto: Leandra Felipe/Agência Brasil)

A Venezuela fechou 2020 com uma inflação acumulada de 2.959,8%, segundo dados divulgados pelo Banco Central do país (BCV). A inflação reconhecida pelo BCV, de linha pró-governo, encontra-se abaixo das estimativas do antigo Parlamento da oposição eleito em 2015, que desde 2017 publicava o seu próprio índice de inflação devido ao atraso na publicação dos números oficiais.

Em dezembro de 2020, fixou o índice de janeiro a novembro em 3.045,92%. O BCV informou ainda que a variação de preços, em meio a um ciclo hiperinflacionário, foi de 46,6% em janeiro, uma queda em relação a dezembro passado, que fechou em 77,5%. Os últimos dados oficiais atualizados mostram uma inflação acumulada entre janeiro e setembro de 844,1%.

A Venezuela, atolada na pior crise de sua história moderna e passando pelo sétimo ano consecutivo de recessão, fechou 2019 com inflação de 9.585,5% segundo a entidade emissora. Paralelamente, o valor da moeda local — o bolívar — despencou, cenário em que o dólar ganhou espaço no país petroleiro, que sofre com a maior inflação do mundo.

Vacinas

Uma enviada das Nações Unidas disse que as sanções dos EUA e da União Europeia à Venezuela estavam agravando a crise humanitária no país e recomendou aos Estados Unidos um relaxamento das medidas. O argumento foi classificado por parte da oposição venezuelana como “propaganda para o regime”

Após uma visita de 12 dias, Alena Douhan, relatora especial da ONU para sanções, recomendou em um relatório preliminar que as penalidades sejam suspensas e que o governo venezuelano tenha acesso aos fundos estatais venezuelanos congelados nos EUA, Reino Unido e Portugal.

“Lamentamos as imprecisões da relatora e a falta de menção a temas como corrupção, ineficiência, violência política e uso da fome como instrumento de controle social e político”, escreveu no Twitter Miguel Pizarro, enviado do dirigente opositor Juan Guiadó à ONU. “Isso é se permitir ser usado para propaganda do regime.”

Em janeiro de 2019, Washington sancionou a estatal petrolífera PDVSA, em uma tentativa de provocar a queda do presidente Nicolás Maduro.

O governo de Maduro culpa as sanções pelos problemas econômicos da Venezuela — antes de´pôr a PDVSA na lista de empresas sancionadas em 2019, Washington implementou em 2015 suas primeiras sanções contra altos funcionários do governo venezuelano e, em 2017, emitiu algumas restrições financeiras à PDVSA.

O setor da oposição da Venezuela comandado por Guaidó e autoridades americanas alegam que o colapso econômico do país começou antes da imposição de sanções econômicas. No entanto, parte da oposição também vem defendendo o alívio das punições, entre eles o ex-candidato presidencial Henrique Capriles.

O embaixador dos EUA na Venezuela, James Story — que mora na vizinha Colômbia desde 2019, quando os dois países cortaram relações diplomáticas — escreveu no Twitter que a crise da Venezuela se deveu à “corrupção do regime”, acrescentando que as sanções isentavam produtos como alimentos e remédios.

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