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Notícias A ingestão de suplementos altera o resultado de exames médicos

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Expectativa é que a novidade facilite o acesso de pacientes de alto risco ao controle do colesterol. (Foto: Reprodução)

Além de alterar análises de tireoide, como TSH, T4 e T3, suplementos como a biotina também podem modificar resultados de exames de hepatite, gravidez (Beta HCG), testosterona e vitamina D. Para evitar diagnósticos incorretos, laboratórios estão mudando condutas e orientações aos funcionários, incluindo novas perguntas para os pacientes, e dialogando com médicos que se deparam com taxas alteradas.

A biotina está na moda. O crescimento se deu principalmente porque pessoas passaram a alardear nas redes sociais e pelo boca a boca os supostos benefícios da substância. Mas, segundo a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), não há pesquisas científicas que comprovem sua eficácia.

A vitamina é encontrada facilmente nas prateleiras das farmácias e em lojas de suplementos, em fórmulas prontas, já que não é necessário receita para comprá-la. Não há dados consolidados do setor, mas empresas que comercializam fórmulas prontas, como Unilife Vitamins e Nutrends, relatam aumentos de até 10 vezes.

A Ultrafarma lançou, em 2014, uma versão com 60 cápsulas e, desde então, as vendas aumentaram 48%. “Acreditamos que o crescimento das vendas de biotina se deve pelo aumento da preocupação das pessoas com a queda de cabelo decorrente do estresse, falta de vitaminas e má alimentação, por exemplo”, informa, em nota.

“A biotina é da família da vitamina B que tem papel no aproveitamento da energia celular. As células que se dividem rapidamente e precisam de energia se beneficiam. Tem estudos que mostram benefícios diante de doenças muito específicas nas unhas e no cabelo, mas não tem um mostrando que uma pessoa saudável é beneficiada”, explica a médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia Tatiana Gabbi.

A necessidade diária de biotina pode ser suprida por meio da alimentação. “O Food and Nutrition Board, do Instituto de Medicina dos Estados Unidos, faz uma segmentação por idade e, em um adulto, a quantidade recomendada é de 20 a 30 microgramas por dia. As pessoas estão tomando em miligramas. Na alimentação, adquire-se facilmente comendo cereais integrais, nozes, vísceras de animais”, explica Rosita Fontes, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Um estudo publicado no ano passado em uma revista científica pela assessora médica em endocrinologia do Fleury Medicina e Saúde, Rosa Paula Mello Biscolla, comprovou que a interrupção temporária já faz retornar aos níveis normais. Na análise, 19 voluntários tomaram 10 mg e tiveram o sangue colhido após a ingestão.

“O (hormônio) TSH diminuiu e o T4 livre e T3 aumentaram com um único comprimido. Os valores antes e depois eram muito diferentes, mas, 24 horas depois, já voltaram ao normal e continuavam 48 horas depois. A gente manteve a orientação de interromper 72 horas antes do exame, porque não sabemos a dose e o tempo que as pessoas estão tomando o suplemento.”

Mas a alteração diz respeito somente ao exame. A vitamina não interfere na tireoide. “Não é que a tireoide fique doente. Essa mesma biotina que tem no leite, nos cereais e cogumelos é usada para fazer dosagens. A biotina se liga em outra molécula chamada estreptavidina e ajuda a ‘enxergar’ alguns hormônios. Quando o paciente está usando, vai ter uma interferência mostrando mais hormônio ou menos, mas as taxas estão normais. É o excesso de biotina na reação.”

A questão já é discutida desde 2016, quando a relação entre a vitamina e interferências em resultados de exames foi apresentando em um congresso internacional de tireoide. A preocupação dos médicos é que pacientes recebam diagnósticos errados, como de hiper ou hipotireoidismo, e iniciem investigações ou tratamentos desnecessários.

“Se o novo resultado mantiver esses mesmos níveis, o médico então irá por outro caminho, solicitando novos exames. Por outro lado, se os níveis normalizarem, fica comprovado que a biotina foi responsável. Existem casos na literatura médica de pacientes que foram até tratados em cima de um diagnóstico equivocado por conta da interferência da biotina”, diz Rosita.

Segundo Rosita, não são só exames da área da endocrinologia que podem ser afetados. “Pode causar interferência em exames de insulina, o beta HCG da gravidez, de marcadores tumorais e de marcadores de doenças virais, como hepatite B.”

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