Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020

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Brasil A maioria das pessoas recebeu notícias falsas sobre a vereadora assassinada Marielle mas não acreditou no que leu

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Vídeos e áudios fizeram referência direta a Marielle. (Foto: Reprodução/Facebook)

As notícias falsas que circularam em aplicativos de mensagens e redes sociais sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), 38, morta a tiros no último dia 14, chegaram à maioria dos moradores da cidade do Rio de Janeiro.

No entanto, a maior parte das pessoas que leram essas notícias ou assistiram a esses vídeos conseguiu identificar que se tratavam de informações falsas.

Isso é o que revela pesquisa Datafolha realizada nos últimos dias na cidade em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No mesmo levantamento, o instituto mapear a opinião dos cariocas sobre a intervenção federal na segurança pública do Estado e o grau de sensação de insegurança na cidade —bem como os atuais índices de popularidade do prefeito Marcelo Crivella (PRB) e do governador Luiz Fernando Pezão.

O Datafolha perguntou aos entrevistados se eles haviam tomado conhecimento de cinco afirmações: “Marielle foi casada com o traficante Marcinho VP”, “Marielle defendia bandidos”, “Marielle tinha envolvimento com facções criminosas”, “Marielle foi eleita pelo Comando Vermelho” e “Marielle ajudava famílias de policiais mortos”.

A maioria leu ou assistiu algo relacionado às quatro primeiras, justamente aquelas de conteúdo fictício. Sobre essas, a maior parte respondeu que o conteúdo era falso.

“Marielle foi casada com o traficante Marcinho VP”, por exemplo, foi a notícia mais conhecida, por 60% dos entrevistados —45% deles a avaliaram como falsa e 6%, como verdadeira.

Dentre as cinco afirmações no questionário do Datafolha, a única à qual a maioria não teve acesso foi a de que “Marielle ajudava famílias de policiais mortos”.

Sobre essa, a única que de fato procedia, 40% dizem ter conhecimento —desses, 27% a consideram verdadeira, e 8%, como notícia falsa.

Na última quinta-feira (22), a Justiça do Rio determinou que notícias falsas sobre a vereadora fossem retiradas da internet. A juíza Márcia Correia Hollanda, da 47ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, ordenou que o Google retirasse do ar 16 vídeos do YouTube que contêm ofensas à vereadora. O Google, que é proprietário da plataforma de vídeos, deveria excluir as postagens, sob risco de pagar multa diária de R$ 1.000.

A ação foi movida a pedido da irmã de Marielle, Anielle Silva dos Reis Barboza, e da namorada da vereadora, Mônica Azeredo Benício.

Na decisão, a juíza afirma que, “ao analisar os vídeos indicados, verifico que alguns deles, realmente, extrapolaram o que a Constituição fixou como limite ao direito de livremente se manifestar”.

“Tais vídeos e áudios fizeram referência direta a Marielle, apontando-a como vinculada a facções criminosas e tráfico ou imputações maliciosas sobre as suas bandeiras políticas, como o aborto, fatos que podem caracterizar violação à honra e à imagem da falecida e que certamente causam desconforto e angústia a seus familiares”, completa.

Dois casos de distribuição de notícias falsas tiveram ampla repercussão na última semana. A desembargadora Marília Castro Neves, do Rio, por exemplo, escreveu em rede social que a vereadora “estava engajada com bandidos”.

Afirmou ainda que o “comportamento” dela, “ditado por seu engajamento político”, foi determinante para a morte, e que há uma tentativa da esquerda de “agregar valor a um cadáver tão comum quanto qualquer outro”.

Já o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) publicou um post no qual acusava Marielle de ter sido eleita com a ajuda da facção Comando Vermelho e de ter sido casada com Marcinho VP.

Investigação

Seis em cada dez moradores do Rio acham que os responsáveis pelo assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, serão presos. Outros 31% acreditam que eles não serão presos –os mais jovens são os mais pessimistas (43%).

Entre os que acreditam na prisão, 41% acham que ela deve levar algum tempo, e 19%, que virá em pouco tempo.

A população parece estar dividida sobre a qualidade da investigação: 37% a aprovam, 34% a consideram regular, 17% a reprovam e 12% não opinaram. “Parece estar andando, mas tenho medo de que eles tentem proteger colegas, se descobrirem que policiais estavam envolvidos. Eles podem levar a investigação para onde querem. Temos que ficar em cima”, diz o estudante Gabriel Lopes, 21.

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