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Política A ministra da Secretaria de Governo destaca que a covid-19 provocou a maior crise global desde a Segunda Guerra Mundial e defende um diálogo para o governo atravessar a pandemia e a CPI do coronavírus

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Ministra admite que a CPI da Covid pode se transformar em um palanque eleitoral. (Foto: Marcos Correa/PR)

A quatro dias de completar um mês no cargo, a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, considera cumprida a sua primeira missão, o acordo que garantiu a sanção do Orçamento de 2021. “O ano mais apertado em termos fiscais das últimas décadas”, diz a ministra em sua primeira entrevista nesses 26 dias no cargo. Agora, ela se prepara para, novamente, tentar assegurar o diálogo crucial para o governo atravessar a pandemia, a CPI da Covid, e tentar recuperar a economia. “O maior desafio do governo e do país é ampliar a vacinação e preservar vidas. A pandemia é a maior crise depois da Segunda Guerra Mundial”, afirma.

O fato de ser representante do Parlamento, não significa que vá aceitar tudo o que vier do Congresso em termos de pedidos de liberação de recursos, especialmente, se representar um aumento do crescimento da dívida. “Se formos capazes de sinalizar para o mercado uma diminuição do crescimento da dívida pública, teremos mais investimentos e uma retomada mais rápida da atividade econômica”, prevê.

Como única mulher num ambiente tão masculino quanto é hoje o Planalto, ela garante que tem feito seu papel de garantir o diálogo: “Quero construir pontes, não gosto de muros”. No entender dela, não há espaços para processos de impeachment, pois o país não suporta mais rupturas. “Há um calendário eleitoral. Vamos seguir nessa direção”, diz. Sobre seu futuro político, ela diz que tudo será decidido na hora certa. A seguir a íntegra da entrevista ao jornal  Correio Braziliense.

1-O governo passará por uma CPI. Onde a articulação política falhou, uma vez que não conseguiu negociar desde cedo a presidência e/ou a relatoria do colegiado?

O Senado tem sua dinâmica própria, e a CPI pode ser um instrumento propositivo para o país. Ao ouvir todos os segmentos da sociedade, poderá ajudar muito, não apenas na correção de eventuais políticas públicas, como, principalmente, na proposição de novas medidas para enfrentarmos a pandemia e suas consequências. Tenho ouvido muitos senadores que têm essa visão propositiva.

2-Qual o risco de o governo ser minoria entre os integrantes da CPI da Covid?

Os líderes do governo no Senado e os líderes dos partidos que apoiam o governo agiram de forma muito aberta e democrática no sentido de permitir que todas as correntes políticas estejam presentes nessa discussão tão importante para o país. Há o risco de uma politização exagerada, de um palanque eleitoral? Sempre existe. Mas a minha percepção é a de que os senadores estão preocupados mesmo é em contribuir para encontrarmos os melhores caminhos para vencermos a pandemia. A pontuação de eventuais problemas, tanto no governo federal quanto nos governos estaduais, poderá ter um enfoque mais de ajustes de que de crucificar gestores.

3-A negociação do Orçamento de 2021 expôs a fragilidade das alianças do governo no Congresso. O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi atacado pelos presidentes da Câmara e do Senado? O que foi que aconteceu?

Faz parte do jogo, cada um com suas responsabilidades. Casa que não tem pão, todo mundo grita e ninguém tem razão. Mas todos foram capazes de compreender as dificuldades e construímos, juntos, a solução possível. O importante é que terminou bem. E, agora, vamos cuidar da execução orçamentária com essa mesma visão de conjunto. Vai dar certo.

4-Analistas dizem que o Orçamento deste ano foi todo elaborado para pavimentar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro em 2022. Não é muito arriscado transformar uma questão técnica em política?

Esta avaliação está equivocada. O Orçamento tem uma margem discricionária para o governo de menos de 6% da receita líquida. As despesas obrigatórias tomam todo o espaço orçamentário. Será o ano mais apertado em termos fiscais das últimas décadas. Infelizmente, não será esse o instrumento de ação política. O presidente é um liberal. Se formos capazes de sinalizar para o mercado uma diminuição do crescimento da dívida pública, teremos novos investimentos e uma retomada mais rápida da atividade econômica. E isso pode fazer a diferença.

5-A mesma confusão que se viu no Orçamento de 2021 vai se repetir em relação ao de 2022, quando o governo terá folga financeira superior a R$ 106 bilhões no teto de gastos por causa da inflação mais alta? Vai haver uma farra de gastos?

Eu espero que tenhamos, já no próximo ano, um crescimento da ordem de 2,5% do PIB e algum aumento de receita que permita mais investimentos públicos. Mas muito aquém do que seria desejável. Muito longe de uma expansão significativa de gastos.

6-A senhora está confiante na base do governo para levar adiante as reformas que o país tanto precisa para voltar a crescer? A CPI da Covid pode interromper de vez as reformas tributária e administrativa?

Esse é o Congresso mais reformista dos últimos anos. O que atrapalha não é a CPI, que vai envolver 18 senadores dos 81, e ainda temos 513 deputados. O que já está atrapalhando é a dificuldade das sessões presenciais, que são a alma do Parlamento. Perde-se muito com as sessões remotas. Fica muito mais difícil a busca de consensos e a formação de maiorias. Mas vamos avançar. Há essa determinação de avançar nas reformas.

7-Até que ponto a reeleição do presidente Jair Bolsonaro vai contaminar a agenda do Congresso? Veremos um Legislativo mais refratário ao governo? O que pode ser feito para tornar a relação menos conflituosa?

As eleições de quatro em quatro anos têm um efeito importante na discussão de temas dentro e fora do Congresso. Faz parte da democracia. É bom que seja assim. Não vejo nisso um problema, mas uma oportunidade de pensar o Brasil.

8-Além da CPI, que outros grandes focos a senhora considera que merecem atenção do governo daqui para frente?

O maior desafio do governo e do país é ampliar a vacinação e preservar vidas. E tem o desafio de não permitir um colapso das atividades econômicas e socorrer as parcelas mais vulneráveis da população. A pandemia e suas consequências são o maior desafio da nossa geração

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