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Saúde A obesidade é causada pela genética, hormônios e o ambiente onde se vive

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Múltiplos fatores despertam ou perpetuam a doença. Entretanto, mudança de hábitos alimentares e realização de exercícios ainda são importantes para conter o seu avanço. (Crédito: Reprodução)

A obesidade é uma doença causada pela nossa genética, nosso cérebro, hormônios e o ambiente em que vivemos. Não é resultado de falta de força de vontade. A obesidade é uma questão extremamente complexa, mas muitos preferem fazer um julgamento moral dos obesos.

Entre os tratamentos reconhecidos estão a mudança no estilo de vida, medicamentos, balão intragástrico e cirurgia de obesidade. No rol dos não reconhecidos estão as fórmulas manipuladas com vários componentes, alimentos que prometem emagrecer, retirar o glúten da alimentação e o o uso de hormônios – que são os novos atores nesse cenário. Com a descoberta dessas substâncias químicas que regulam o apetite, a sensação de saciedade e a fabricação de tecido adiposo, a comunidade médica convive com novas hipóteses para o ganho e para a manutenção de peso, a cada nova publicação na área.

Recentemente, em artigo publicado na revista americana Nature, uma das mais respeitadas publicações científicas da atualidade, a colunista e especialista em História da Ciência Kirsten Lara Getchell reacendeu a discussão. No artigo, ela afirma que o tratamento da epidemia da obesidade tem falhado porque se dá extrema importância ao conceito de “comer muito, gastar pouco” e menos à teoria de que o problema envolve uma disfunção hormonal.

“A hipótese do ‘comer demais e gastar pouco’ falhou”, frisou, ao expor que é preciso estudar mais o papel dos hormônios no metabolismo e na sua capacidade de regular quando temos fome e quando devemos ficar saciados. “É preciso tratar a obesidade não como um fenômeno físico [no sentido de gasto versus consumo de energia], mas algo fisiológico.”

O papel dos hormônios.

De acordo com o endocrinologista André Gustavo Vianna, a ciência tem avançado no entendimento do problema desde que foi descoberta a ligação dos hormônios da glândula tireoide e da insulina com a regulação da velocidade do metabolismo e do acúmulo de gordura no corpo, respectivamente.

O médico, porém, diz que é temerário afirmar que a obesidade tem esta ou aquela causa específica. “A obesidade ocorre por vários fatores. Há pessoas que comem mal, não fazem exercícios e engordam porque gastam pouco daquilo que comem. Outras, mesmo com uma vida desregrada, por fatores ainda não muito explicados, têm um metabolismo mais rápido e não engordam.”

A endocrinologista Myrna Campagnoli afirma que é errôneo entender as disfunções endócrinas como causas da obesidade, uma vez que apenas 5% de todos os casos da doenças são causados por fatores hormonais ou genéticos. “Estudos mostram que 95% dos casos são fruto simplesmente de uma vida sedentária e de erros alimentares. O que ocorre é que, uma vez obesa, ocorrem alterações hormonais no corpo que podem fazer com que esse quadro se perpetue, ou seja, é um fator de manutenção da doença”, explica.

Um hormônio que está comprovadamente ligado à obesidade é a insulina. Ela é responsável por estocar glicose dentro das células e, em excesso, pode transformar parte dessa glicose em gordura. Outros hormônios, como a grelina, leptina e irisina, começam a ter seu papel desvendado, no entanto, ainda é cedo para afirmar sua relação direta com o problema. “Observa-se que uma pessoa obesa pode produzir mais ou menos um hormônio, mas não se pode dizer com certeza se isso é uma causa ou um efeito da obesidade”, destaca o endocrinologista Henrique de Lacerda Suplicy.

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