Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de agosto de 2018
Agentes da Polícia Federal prenderam nesta quinta-feira (16) o banqueiro Edson Menezes. Ele é ex-superintendente do Banco Prosper e ex-presidente da Bolsa de Valores. Menezes, conhecido como Grande, é investigado na Lava-Jato pelo pagamento de propina para a contratação do Banco Prosper no processo de leilão do Berj (Banco do Estado do Rio de Janeiro).
Segundo as investigações da Lava-Jato no Rio, ele teria pago R$ 3,12 milhões de propina ao grupo do ex-governador Sérgio Cabral. Parte do pagamento foi feito em dólares, em espécie, e o restante em garrafas de vinho que, segundo o MPF (Ministério Público Federal), valem mais de mil dólares no mercado internacional. O pagamento foi feito por meio da Remop Investments, uma das off-shores de Menezes. O banqueiro foi preso no seu apartamento no Leblon, Zona Sul do Rio. Os policiais vão também a outros seis endereços ligados ao ex-superintendente da Prosper.
Em 2006, o governo do Rio contratou a FGV (Fundação Getulio Vargas) para uma consultoria para avaliar o preço mínimo do Berj. Em 2010, o edital de leilão do banco previu um pagamento de 3%, R$ 3,12 milhões, sobre o total alcançado na venda para o pagamento da consultoria independente. De acordo com os procuradores da República, estes elementos confirmam o depoimento de um dos delatores da Lava-Jato de que Sérgio Cabral condicionou o leilão do Berj à contratação do Prosper.
As investigações também comprovaram outras cinco operações de dólar-cabo (quado o cliente entrega o dinheiro em reais no Brasil e recebe os dólares no exterior).em lavagem de capitais feitas pela Remo Investments com os irmãos Marcelo e Renato Chebar, operadores financeiros de Cabral.
Também ficou comprovado, segundo o MPF, relações de amizade entre Menezes e Carlos Nuzman, denunciado na Operação Unfair Play, e que integrou o Conselho da Riopar Participações, ao lado de Marcelo Traça, Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira, todos denunciados na Operação Ponto Final.
Em nota, a defesa de Edson Menezes afirmou que Carlos Miranda está mentindo e recebendo benefícios legais sem provar o que fala.
A defesa fez questão de afirmar ainda que a prisão viola as leis e que não há acusação formal e nem sentença condenatória.
A defesa de Sérgio Cabral afirmou que ele nunca favoreceu ou participou de negociatas para beneficiar bancos, empresas ou instituições de qualquer natureza e que desconhece qualquer ilícito envolvendo o Berj em sua gestão.
Em nota, a Fundação Getulio Vargas confirma que o Banco Prosper foi contratado em 2006 e prestou serviços até 2011 para o processo de leilão do Berj, por causa da sua experiência no mercado de capitais. Mas negou qualquet tipo de irregularidade.
“Não é correto, portanto, afirmar que a FGV tenha recebido ou pago qualquer valor relativo a folha de pagamentos dos servidores do Estado. Todos os valores e condições do leilão, assim como da contratação da FGV, foram publicamente divulgados, bem como as informações publicadas no Diário Oficial, não tendo a FGV conhecimento de qualquer irregularidade no leilão, que foi organizado pela Bolsa de Valores mediante um processo transparente e altamente competitivo”.
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