Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
13°
Cloudy

Capa – Caderno 1 Orla do Guaíba recebe neste sábado evento de conscientização sobre abuso de crianças e adolescentes

Compartilhe esta notícia:

Evento terá distribuição de material informativo e espaço de visitação. (Foto: EBC)

A fim de conscientizar a população sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, a SES (Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul) realiza neste sábado (18) uma atividade de prevenção na orla do Guaíba, em Porto Alegre. O evento, às 15h, terá distribuição de material informativo e espaço lúdico para visitação.

A iniciativa é do CCEVCA (Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes), formado no Estado por entidades civis e órgãos ligados ao governo gaúcho. Conforme a psicóloga Rosângela Moreira, da SES, enfrentamento desse tipo de problema passa imprescindivelmente pela criação, em cada município, da Rede de Atenção às Crianças e Adolescentes em Situação de Violência.

“A rede deve ser integrada por todas as áreas do sistema de garantia dos direitos, como educação, segurança e assistência social”, explica. A escolha deste sábado para a realização do evento é alusiva ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes são considerados problemas de saúde pública. A psicóloga Rosângela Moreira chama a atenção, ainda, para um aspecto legal: o enfrentamento a essa violência é preconizado no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90).

Ela acrescenta que, de acordo com o texto, o SUS (Sistema Único de Saúde) é responsável por garantir o direito à proteção, à vida e à saúde na sua esfera de atuação, mediante a efetivação de políticas públicas com essa finalidade específica.

Dados epidemiológicos informados pela coordenadora do Núcleo de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis do Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde), Andréia Volkmer, demonstram que, somente no ano passado, foram notificados ao menos 2,2 mil casos de violência e abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul.

“A maioria das vítimas é formada por meninas de 10 a 14 anos e essa violência ocorre de forma mais frequente dentro das residências”, destaca Andréia. E esse número pode ser ainda maior, já que é de conhecimento de especialistas e autoridades a ocorrência de diversos casos não notificados.

Gays

A Secretaria Estadual da Saúde também está de olho em outro problema: a violência contra indivíduos devido ao seu perfil sexual. De 2014 a 2017, foram notificados no Rio Grande do Sul 983 casos de violência contra homossexuais e bissexuais, além de 577 contra travestis, mulheres e homens trans.

Em termos nacionais, em 2018 a violência foi a causa de 420 mortes entre esse segmento social em todo o País. E esses casos costumam estar relacionados ao preconceito. Segundo a Coordenação Estadual da Saúde da População LGBT da SES, a notificação dos casos de violência contra essa população é compulsória a profissionais da saúde.

Esses dados reforçam a importância de se trabalhar com o tema da violência nos locais de trabalho, com foco na sensibilização de profissionais da área.“Realizamos capacitações junto a trabalhadores e trabalhadoras da saúde abordando a questão da violência motivada pelo preconceito contra a diversidade sexual.

Com o tema “Visibilidade faz bem à saúde, preconceito não”, a coordenação de saúde da população LGBT da SES/RS divulgou uma campanha pelo Dia Internacional contra a LGBTfobia, 17 de maio. “Essa campanha busca dar visibilidade às pessoas LGBT e expor os números da violência contra elas, trazendo o problema do preconceito e da discriminação para a discussão na sociedade”, salienta Iuday.

A publicação aposta no conceito de que a identificação, o acolhimento humanizado e a notificação da violência são ações importantes para enfrentar a chamada “LGBTfobia”. Essa data foi instituída como uma referência de mobilização em torno dos direitos LGBT porque foi nesta data que a OMS (Organização Mundial da Saúde) deixou de considerar a homossexualidade como doença, em 1990.

Para denunciar casos de violência, há o serviço “Disque 100 – Para Romper o Silêncio”, além do Disque-denúncia/Porto Alegre (0-800-64-20-100).

 

(Marcello Campos)

Print Friendly, PDF & Email

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Capa – Caderno 1

Prefeito de Porto Alegre e governador em exercício discutem ações conjuntas na área da segurança pública
Instituições culturais de Porto Alegre abrem as portas, neste sábado, para mais uma edição da “Noite dos Museus”
Deixe seu comentário
Pode te interessar