Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de abril de 2020
O laboratório do Exército já produziu 2,2 milhões de comprimidos de cloroquina para uso no tratamento de coronavírus no Brasil e vai aumentar a fabricação para 1 milhão por semana. Cada pílula custa R$ 0,20. A produção foi uma determinação do presidente Jair Bolsonaro, defensor da droga. Em entrevista na segunda-feira (13), a equipe técnica do Ministério da Saúde voltou a dizer que não há nenhum estudo científico que comprove o funcionamento do remédio para casos de Covid-19.
A destinação dos comprimidos caberá ao Ministério da Defesa, afirmou a assessoria da pasta. Até agora, o Ministério da Saúde liberou cloroquina para uso em casos graves e internados, quando o médico julgar necessário.
A equipe técnica do ministro Luiz Henrique Mandetta apresentou uma cartilha com análise de 33 teses sobre o remédio e concluiu que até o momento nenhuma é válida do ponto de vista científico.
Cautela
Nove entidades médicas nacionais afirmam em documento divulgado hoje que é preciso “cautela” no uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, pois as drogas aumentam o risco de complicações cardíacas.
O documento foi elaborado por especialistas das nove entidades e afirma que até o momento “não há disponível um medicamento que tenha demonstrado eficácia e segurança no tratamento de pacientes com infecção por Sars CoV-2 [nome científico do coronavírus]”, diz o texto.
O estudo “Orientações sobre Diagnóstico, Tratamento e Isolamento de Pacientes com Covid-19” foi elaborado com a participação da Abih (Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecções e Epidemiologia Hospitalar), SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), SBA (Sociedade Brasileira de Anestesiologia), CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia), SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), Instituto de Medicina Tropical da USP (Universidade de São Paulo), Sobed (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva) e a Sociedade Brasileira de Nefrologia.
O objetivo do documento é reunir informações para orientar os profissionais de saúde no tratamento e diagnóstico de pacientes do novo coronavírus.
O texto traz um resumo do que hoje é consenso entre os especialistas que participaram do estudo.
Sobre o uso da cloroquina, os especialistas afirmam ainda não existir tratamento comprovado contra a covid-19, e dizem que o uso da droga pode aumentar o risco de problemas cardíacos nos pacientes.
“Em relação ao tratamento, até o momento, não há disponível um medicamento que tenha demonstrado eficácia e segurança no tratamento de pacientes com infecção por SARS CoV-2. Estudos estão em andamento e quaisquer medicamentos utilizados com o objetivo de tratamento devem ser administrados sob protocolo clínico mediante aplicação de termo de consentimento livre e esclarecido”, diz o texto.
“Deve-se ter cautela ao usar cloroquina ou hidroxicloroquina em associação com azitromicina, pois pode aumentar o risco de complicações cardíacas”, afirma trecho que resume a opinião de consenso entre as entidades.
Na França, a Agência Nacional de Vigilância de Medicamentos disse ter identificado problemas cardíacos em pacientes que utilizaram a hidroxicloroquina.
Os comentários estão desativados.