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Por Redação O Sul | 13 de maio de 2020
Cerca de 25 mil pessoas já podem ter sido infectadas pelo coronavírus no Rio Grande do Sul, número quase nove vezes maior do que indicado na estatística oficial. A conclusão consta nos resultados, divulgados nesta quarta-feira (13), da terceira fase da pesquisa coordenada pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e SES (Secretaria Estadual da Saúde), em parceria com outras instituições.
Dos 4,5 mil testes rápidos aplicados entre os dias 9 e 11 de maio, dez pessoas testaram positivo. Destas, quatro moram em Passo Fundo (Região Central), que vem apresentando números elevados de contágio e óbito por Covid-19. As outras são de Ijuí (2), Porto Alegre (1), Caxias do Sul (1), Pelotas (1) e Santa Cruz do Sul (1).
A primeira etapa do estudo (que emprega testes rápidos) resultou em dois diagnósticos positivos, ao passo que a segunda levou a seis confirmações. Para a SES, isso indica um aumento progressivo no número de casos, porém em progressão aritmética, não geométrica (como tem acontecido no Brasil e outros países com piores cenários).
Os novos dados estimam que haja um infectado para cada 454 gaúchos – na testagem anterior houve um caso positivo para cada 769 pessoas, após uma primeira rodada essa proporção era de um para 2 mil.
“Os casos notificados representam apenas uma parcela do total, confirmando a nossa teoria do iceberg de que existe uma parte visível, representada pelas estatísticas oficiais, e uma parte submersa, que precisa ser conhecida para que sejam tomadas as melhores decisões para o seu enfrentamento”, frisou o reitor da UFPel e coordenador da pesquisa, Pedro Hallal.
Se por um lado a prevalência de pessoas com anticorpos aumentou, por outro, o número de subnotificações reduziu. Nesta última rodada, a pesquisa estimou que, para cada caso notificado, haveria nove subnotificados. Na fase anterior, foram apontadas 12 subnotificações. Pela margem de erro, esse número pode variar entre quatro e 16.
O aumento da prevalência de pessoas com anticorpos no Estado veio acompanhado de uma diminuição do número de pessoas que respeitam as orientações de distanciamento social. Entre a primeira etapa e a última da pesquisa, o percentual da população que relatou sair de casa diariamente aumentou de 20,6% para 30,4%. Entretanto, em relação à segunda rodada, subiu de 28,3% para 30,4%, percentual considerado estável.
Com a estratégia de distanciamento controlado, que passou a valer em todo o território do Estado na segunda-feira (11), após a última testagem, o governo gaúcho espera obter “um equilíbrio entre a preservação da vida e a atividade econômica, com restrições no local, no momento e na proporção que forem necessárias”.
“O Rio Grande do Sul é o único lugar no mundo onde há três rodadas de uma pesquisa com base amostral em que se consegue acompanhar e controlar de que forma caminha esse vírus”, acrescentou a titular da Seplag (Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão), Leany Lemos.
Letalidade maior
A pesquisa também apresenta, pela segunda vez, a estimativa de mortalidade do coronavírus no Estado. Se o cálculo for baseado nos casos notificados (105 óbitos e 2.576 casos confirmados no dia 10 de maio), a letalidade estimada seria de 4%, ou seja, para cada 100 pessoas que contraem o vírus, quatro morrem.
Já quando o cálculo leva em consideração o total de casos estimado pela pesquisa de prevalência (24.860) e o número de óbitos confirmados (105), a estimativa de letalidade cai para 0,42%. Ou seja, seriam quatro mortes para cada mil infectados.
Sintomas mais comuns
Como novidade, o estudo chegou a resultados sobre os sintomas relatados pelas 18 pessoas confirmadas com anticorpos nas três fases da testagem. O mais comum foi a dor de garganta (22% dos casos), seguido por tosse, diarreia e alterações de olfato/paladar (17%), dificuldade para respirar (11%) e, por último, febre (6%).
Ainda em andamento, o estudo prevê pelo menos outras duas rodadas de testes e entrevistas. A próxima está prevista para os dias 23, 24 e 25 de maio. A seguinte ainda não tem data confirmada. O custo total é de R$ 1,5 milhão, com apoio da Unimed Porto Alegre, Instituto Cultural Floresta e do Instituto Serrapilheira-RJ.
(Marcello Campos)
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