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Rio Grande do Sul Pesquisa da Universidade Federal de Pelotas indica que o Rio Grande do Sul tem um infectado por coronavírus para cada 104 habitantes

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(Foto: Mauricio Vieira/Secom-SC)

Realizada pelo governo do Estado em parceria com a UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e outras entidades, a sexta etapa do estudo sobre a pandemia no Rio Grande do Sul aponta que a incidência do coronavírus entre a população gaúcha dobrou em um mês. O novo relatório foi divulgado nesta quarta-feira (29) e indica que um a cada 104 habitantes já sofreu contágio, mesmo assintomático.

Os pesquisadores estimam que entre 78,7 mil e 146,2 mil indivíduos residentes em território gaúcho foram infectados, se levada em consideração a margem de erro. Com isso, a média é de 108,7 mil pessoas (equivalente a 0,96% da população), duas vezes maior que na rodada anterior do estudo (53.094 indivíduos com anticorpos, ou 0,47% do total).

E se agora a incidência é de 1 para 104 gaúchos, na quinta etapa essa proporção era de 1 a cada 214. Nas anteriores as relações eram as seguintes: 1 para 562 (quarta fase), 1 para 454 (terceira), 1 para 769 (segunda) 1 para 2 mil (primeira).

Para cada 1 milhão de habitantes do Rio Grande do Sul, estima-se quase 10 mil pessoas infectadas não testadas e 5,2 mil com o contágio comprovado por teste. Em outras palavra: para cada teste positivo, há outros dois casos não notificados.

Metodologia

Denominado “Epicovid19-RS”, o estudo mais uma vez se baseou na aplicação de testes rápidos em 4,5 mil pessoas nas nove cidades selecionadas: Pelotas, Porto Alegre, Canoas, Santa Maria, Uruguaiana, Santa Cruz do Sul, Ijuí, Passo Fundo e Caxias do Sul, entre os dias 24 e 26 de julho.

Dos 4,5 mil testes, 43 tiveram resultado positivo para coronavírus: 18 em Porto Alegre, nove em Canoas, sete em Passo Fundo, dois em Caxias, Santa Cruz do Sul e Santa Maria, além de um em Ijuí, Uruguaiana e Pelotas. Na etapa anterior, foram 21 resultados positivos, o que também sinaliza que o número mais que dobrou neste intervalo.

Ao comentar o aumento da prevalência, o epidemiologista e professor emérito da UFPel Fernando Barros, responsável por apresentar os resultados, ponderou que a UFPel e a equipe de pesquisadores não têm uma receita prescritiva:

“No momento em que existe aceleração da infecção, quanto mais fizermos distanciamento social, melhor é. Se o município resolve que vai fazer uma espécie de lockdown dois ou três dias, é melhor do que não fazer. Se puder fazer mais, melhor ainda, mas são decisões municipais com base no quadro de infecções e mortes que cada município apresenta”.

Pessoas próximas

Sempre que há um resultado positivo, a pesquisa estende os testes a quem mora ou quem tem contato permanente com essas pessoas. Dentre os familiares, foram diagnosticados 42 resultados positivos (26%) e 120 resultados negativos (74%).

Considerando-se que a prevalência do coronavírus dobrou no Estado, os pesquisadores recomendam que a testagem via RT-PCR seja ampliada, com busca ativa de casos positivos. Além disso, recomenda que as medidas de distanciamento social sejam reforçadas em Porto Alegre, Região Metropolitana e Passo Fundo.

Uma vez que esta sexta rodada mostrou prevalência de 0,96%, o governo do Estado e a UFPel decidiram antecipar em uma semana a próxima rodada. Assim, a sétima rodada será entre os dias 15 e 17 de agosto. Essa antecipação estava prevista no termo de parceria sempre que o percentual se aproximasse ou superasse 1%. Já a oitava fase está prevista para ocorrer entre os dias 12 e 14 de setembro.

Mortalidade

Baseada no total de casos, a letalidade do coronavírus no Rio Grande do Sul é de 1,4%, com uma relação de 1.570 mortes para cada 108.716 casos. Isso porque a pesquisa considera que haja dois casos para cada notificação – ou seja, o Rio Grande do Sul não teria cerca de 59 mil casos confirmados, mas acima de 118 mil.

No entanto, se os dados considerados forem os casos confirmados, a letalidade é de 2,6%, com 1.570 mortes para 59.779 casos. “Se nos basearmos nas estimativas do estudo, o percentual de letalidade cai, mas é alto de qualquer modo”, alertou Barros. “A ideia de que 1,4% das pessoas que desenvolvem a Covid-19% podem morrer representa uma taxa elevada”.

Sintomas

Os sintomas mais relatados pelas 43 pessoas que testaram positivo para o coronavírus foram tosse (51,2%), alterações no olfato/paladar (44,2%) e diarreia (37,2%). Dor de garganta (34,9%), febre (30,2%) e dificuldade para respirar (9,3%) também foram relatados. Essa foi a quarta vez que o estudo Epicovid19 divulgou resultados sobre os sintomas.

(Marcello Campos)

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